Especialista explica o que muda com novo Plano Nacional de Educação

Documento estabelece objetivos para os próximos 10 anos, incluindo alfabetização de 80% das crianças no 2º ano do ensino fundamental até 2030

Da CNN Brasil
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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25) o novo PNE (Plano Nacional de Educação), que estabelece metas e diretrizes para o setor educacional brasileiro pelos próximos dez anos.

O texto, que agora segue para sanção presidencial, traz objetivos ambiciosos, como garantir que 80% das crianças estejam alfabetizadas até o segundo ano do ensino fundamental até 2030, chegando a 100% em 2035.

Em entrevista à CNN Brasil, Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos pela Educação, destacou que a questão da alfabetização é um entrave histórico no Brasil. "Ainda estamos muito longe de chegar em patamares aceitáveis e, na verdade, o que é direito das crianças brasileiras."

Nogueira Filho ressaltou, porém, que há motivos para otimismo, já que nos últimos três ou quatro anos o país conseguiu uma atração "muito importante, inédita" para os indicadores de alfabetização.

Avanços recentes na alfabetização

Segundo dados divulgados na última segunda-feira (23), houve um avanço significativo no percentual de alunos alfabetizados ao final do segundo ano, saltando de 59% para 66% em apenas um ano.

"Isso mostra que a gente tem, no caso da alfabetização, políticas públicas que estão bem formuladas e estão sendo bem implementadas em território nacional", disse Nogueira. Para ele, tanto a meta de 80% em 2030 quanto a de 100% em 2035 são perfeitamente alcançáveis.

O especialista citou o Ceará como referência nacional e internacional em políticas de alfabetização em larga escala. "O segredo, no fim das contas, é a gente conseguir ter muita prioridade política para o tema da alfabetização, políticas bem formuladas e um apoio muito grande para que as escolas consigam fazer esse trabalho de forma muito consistente."

No entanto, ele econheceu que o desafio brasileiro é imenso devido às dimensões continentais do país, sua estrutura federativa e desigualdades.

Formação de professores: um desafio crítico

Apesar dos avanços na alfabetização, Nogueira alertou que a formação inicial de professores continua sendo um gargalo significativo.

"A gente tem um gargalo muito grande na qualidade da formação inicial de professores do Brasil e, infelizmente, esse quadro não tem se alterado nos últimos anos."

Segundo ele, mais de 80% dos futuros professores estão se formando completamente à distância, o que compromete a preparação adequada para os desafios da sala de aula.

"A docência é muito complexa. A gente, às vezes, no Brasil tem essa ideia de que ser professor é fácil, é a tia, é o tio, mas essa é uma das profissões mais complexas no sentido de exigir muito conhecimento teórico e, ao mesmo tempo, uma articulação muito forte da teoria com a prática", explicou Nogueira.

Para o especialista, um bom professor não apenas domina o conteúdo que leciona, mas também sabe como ensiná-lo e entende como crianças e jovens se desenvolvem e aprendem.

Apesar dos desafios, Nogueira considera o novo Plano Nacional de Educação uma conquista importante. "Ele não é perfeito, mas ele foca no que importa, ele é ambicioso, em alguns casos até demais, e ele pode ser a grande bússola que a gente precisa ter para orientar a educação brasileira nos próximos 10 anos."

 

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