À CNN, Tarcísio fala sobre segurança, Sabesp, Flávio e “taxa das blusinhas”

Sabatina com o chefe do Executivo paulista foi a segunda da CNN Brasil com candidatos aos governos estaduais

Pedro Penteado e Leticia Moreira, colaboração para a CNN Brasil, Davi Alencar, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Nesta quarta-feira (12), às 21h10, a CNN Brasil continuou sua série de entrevistas com candidatos aos governos estaduais. O sabatinado desta noite foi o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.

Esta foi a segunda entrevista da série. Na segunda-feira (9), a CNN Brasil entrevistou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato do PT (Partido dos Trabalhadores) ao Palácio dos Bandeirantes.

No início da sabatina, o governador foi questionado a respeito dos números dos homicídios ocultos -- mortes violentas que chegam aos registros oficiais como "Mortes Violentas por Causas Indeterminadas" -- no estado de São Paulo.

"O crime se desloca de lugar, a tecnologia será aliada. Os dados que saem da Secretaria de Saúde são comparados com os dados registrados na Secretaria de Segurança, quando é maior, dá a entender que houve maquiagem, quando é o oposto, estamos no caminho certo. Temos uma trajetória descendente no tempo, menor indicação de homicidio, latrocinio, roubo de veículo...", explicou.

O governador também falou sobre seu posicionamento a respeito das câmeras corporais, que mudou de 2024 para cá. Crítico do modelo de gravação ininterrupta, Tarcísio admitiu que estava "completamente equivocado" em sua postura.

A mudança veio após um homem ser atirado da ponte por um Policial Militar após uma abordagem em dezembro de 2024.

Taxas e impostos

Tarcísio foi questionado pela CNN sobre a fala de seu oponente ao Palácio dos Bandeirantes Fernando Haddad (PT) em sua sabatina na segunda-feira (10). O ex-ministro da Fazenda afirmou que a medida partiu do varejo e não do governo federal.

"O presidente Lula não queria cobrar (a "taxa das blusinhas"), a federal. Quem introduziu foi o Congresso Nacional. O presidente Lula não queria e ainda falou: 'vou vetar se vocês aprovarem'. A conversa foi, inclusive, com o Arthur Lira. Ele falou: 'Presidente, vai ser por unanimidade. Todos os partidos vão votar a favor dessa medida'", disse.

Haddad também alegou que o atual governador foi falar com ele para que cobrasse o ICMS.

Em resposta, Tarcísio desmentiu Haddad e disse que o atual presidente Lula (PT) pode "defender" ele.

"Nunca falei com Haddad sobre cobrança de ICMS. É anterior, colocaram o jabuti na lei do MOVER [Programa Mobilidade Verde e Inovação] e o governo queria 60%. O Lula diz que o Haddad pediu e disse que era bom. Se ele não quisesse, ele não sancionava. Agora em periodo eleitoral manda uma MP [medida provisória]. Se tivesse elevado o imposto só das blusinhas", rebateu.

Sabesp e privatizações

Um dos principais pontos levantados pelos opositores do governo estadual, Tarcísio foi questionado pela CNN sobre as reclamações em torno da Sabesp e de outras privatizações feitas em seu mandato. Para ele, a Sabesp sofre de um sucateamento iniciado em outras gestões.

"É uma rede que perde a cada segundo 5 metros cubicos de água. Em histórico de pouca chuva, a pressao em rede muito antiga, as redes rompem. Tudo isso está endereçado no plano de investimentos da Sabesp". explicou.

Sobre o aumento das reclamações sofridas no Procon-SP, o atual mandatário alegou que é "natural" e que as reclamações estão caindo.

Ao ser perguntado sobre quais outras privatizações podem vir, Tarcísio disse que "sobrou pouca coisa para fazer" e que deve seguir uma revisão de gastos para definir os próximos passos.

Ele também se defendeu sobre as reclamações que as privatizações sofreram. Para Tarcísio, "o caminho é fazer cumprir o contrato. Ainda não deu tempo de resolver os problemas de muito tempo atras."

"As pessoas ficam em estações lotadas por que o serviço de sinalização não funciona direito. Isso pressupõe muito investimento.

Master, influência de Flávio e empresa de filho

Pouco citado por Tarcísio em suas falas, Flávio Bolsonaro tem no candidato à reeleição seu principal nome para fornecer palanque no estado. Questionado sobre citar mais o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), do que Flávio, Tarcísio adiantou:

"O Flávio vai ter destaque na nossa campanha. Tenho que mostrar que a vida pode ser mais fácil com alinhamento entre os governos", explicou.

A CNN questionou o governador se a ligação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro atrapalhariam a campanha.

"Acho que não tem efeito nenhum. Flávio sempre procurou dar esclarecimentos", disse.

Para ele, o caso Master é uma "vergonha" e esclareceu que, em sua opinião, Flávio deveria prestar satisfação sempre que for interpelado a respeito.

O atual mandatário do executivo estadual também comparou o caso com o escândalo do INSS.

"Vamos ver a relação do governo com isso, o roubo dos velhinhos no INSS. Tem um ambiente que drena muito nossa capacidade de crescer."

Tarcísio também foi perguntado a respeito das empresas em que seus filhos Letícia Ferreira de Freitas, 19, e Matheus Ferreira de Freitas, 27, são sócios e esclareceu que não tem relação com o governo.

"É muito tranquilo falar sobre isso. Eles abriram uma empresa porque querem prosperar, como vários brasileiros que querem vencer, crescer na vida, tem a cabeça do jovem voltado para o empreendedorismo. Meu filho tinha um bom emprego e resolveu largar tudo para dar a cara a tapa, e está correndo, correndo, correndo atrás disso, tentando conseguir clientes", disse o governador.

"Ele é sócio do filho de um cara que tem uma empresa de consultoria tributária. E vamos lá, ter consultoria tributária não é crime, não tem problema nenhum, não trabalha para Estado, não tem relação com o governo, não trabalha para ninguém, não pede um favor. É um menino que está procurando caminhar com a própria perna, não tem rede social, não gosta que saibam que é meu filho, porque ele quer vencer na vida sozinho, então complicado é receber dinheiro do careca do INSS, não é o caso dele", afirmou.

Os dois filhos de Tarcísio tornaram-se sócios, em junho deste ano, de um empresário do ramo de consultoria. Uma das empresas deste empresário, a All Tax, afirma trabalhar com clientes empresas de energia e proteína animal. Segundo dados da Secretaria Estadual da Fazenda, os clientes desta empresa tiveram mais de R$ 680 milhões em créditos outorgados de ICMS em São Paulo de 2023 a 2025.