Análise: Ao lado de ministros, Lula faz pré-campanha à moda antiga
De acordo com Clarissa Oliveira, presidente prioriza inaugurações e ações antes da desincompatibilização eleitoral
O governo federal tem intensificado a entrega de obras e ações antes das mudanças previstas na equipe ministerial. De acordo com Gustavo Uribe, no Bastidores CNN desta segunda-feira (30), Rui Costa elaborou uma planilha de inaugurações para aproveitar o período que antecede a desincompatibilização eleitoral, quando ministros que pretendem disputar as eleições deste ano precisarão deixar seus cargos.
A partir de julho, a legislação eleitoral proíbe a presença de candidatos à reeleição em inaugurações de obras públicas, o que explica a aceleração do calendário de entregas do governo.
"Lula quer que todos encaminhem as entregas da gestão para tentar capitalizar isso de alguma forma do ponto de vista eleitoral, melhorar a popularidade e amenizar esse mau humor do eleitorado em relação ao governo", observa a analista política Clarissa Oliveira.
Clarissa define a estratégia como uma "pré-campanha à moda antiga", caracterizada pela priorização de inaugurações presenciais e divulgação de benefícios sociais. Mas apesar da abordagem considerada tradicional, há indícios de que o governo busca modernizar sua comunicação.
"O próprio Lula tem cobrado internamente uma ação mais estruturada para divulgação nas redes sociais e canais digitais das realizações de sua gestão", acrescenta.
O governo entende que conseguiu avançar em vários benefícios que contemplam uma parcela expressiva da população, como questões relacionadas à energia elétrica e gás. No entanto, fatores como o alto endividamento das famílias, a pressão econômica, a inflação de alimentos e os preços dos combustíveis acabam diluindo a percepção dessas conquistas.
"Precisa ver até que ponto o governo vai conseguir dar aderência a essas realizações à população. Por enquanto, isso não está surtindo o efeito que eles desejavam", avalia a analista.


