Ao menos 50% dos votos de 3ª via devem ir para Flávio, diz especialista
Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, avalia que Lula fez uma "campanha ruim" e que Flávio Bolsonaro deve absorver metade dos votos da terceira via no segundo turno
O cientista político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, avaliou, ao WW, que o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 foi desfavorável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em razão de uma série de erros de campanha. Para Aragão, a principal causa do desempenho ruim pode ser resumida em uma expressão: "campanha ruim".
Segundo o especialista, Lula não soube ocupar o espaço do centro do espectro político, o que permitiu que Flávio Bolsonaro avançasse junto ao eleitorado de centro. "Ele deixou o Flávio Bolsonaro subir junto ao eleitorado do centro e chega numa situação muito difícil", afirmou Aragão.
Votos da terceira via tendem a migrar para Flávio
Aragão destacou que, observando os números do primeiro turno, há uma tendência clara de transferência de votos dos demais candidatos para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
Segundo ele, candidatos como Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) devem ceder ao menos 50% de seus votos a Flávio, o que representaria um acréscimo de quase 2 pontos percentuais no resultado dele.
"Pelo menos 50% ou mais sejam votos de Flávio Bolsonaro, o que daria quase 2% a mais no resultado dele", disse o especialista.
Erros estratégicos e narrativa desgastada
O analista elencou outros fatores que contribuíram para o fraco desempenho de Lula. Entre eles, destacou um "discurso muitas vezes rancoroso", com declarações consideradas muito impactantes, além do peso da baixa popularidade do STF (Supremo Tribunal Federal) junto à sociedade.
Aragão também mencionou um episódio específico: "No meio dessa confusão toda ele ainda liga para o Flávio Dino no meio de um comício no Pará", exemplificou.
O especialista afirmou que sua consultoria já havia identificado a possibilidade de uma "onda azul" antes do dia da eleição.
"Durante a semana, nós aqui na Arko Advice, com os nossos trackings e as nossas consultas, já identificávamos a possibilidade de ocorrer essa onda azul", revelou Aragão, acrescentando que a percepção era de que "a campanha de Lula perdia força" e que eventos da última semana não trariam benefícios ao candidato.


