Haddad e Tarcísio disputam "paternidade" de obras em São Paulo
Segundo Clarissa Oliveira, PT quer associar melhorias no estado às ações do governo federal, enquanto o governador busca destacar a autoria de projetos como o túnel Santos-Guarujá
A pré-campanha eleitoral em São Paulo já começa a revelar uma disputa pela autoria de obras importantes no estado. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad, e o atual governador, Tarcísio de Freitas, estão em rota de colisão quanto à chamada "paternidade" de melhorias realizadas no território paulista.
Segundo apuração da analista política Clarissa Oliveira, a ordem nos bastidores do Partido dos Trabalhadores é afirmar durante a campanha que muitas melhorias no estado de São Paulo estão diretamente relacionadas a ações do governo federal.
"As pesquisas de intenção de voto estão animando muito a campanha de Fernando Haddad, enxergando ali que estava iniciando essa corrida ao Palácio dos Bandeirantes na faixa dos 40%, bem acima do desempenho que ele próprio teve na última corrida estadual", destacou Clarissa durante o Live CNN desta segunda-feira (6).
A disputa já se manifestou em momentos específicos, como durante o lançamento do projeto do túnel Santos-Guarujá. Enquanto o governo de Lula pretende destacar os recursos federais investidos na obra, Tarcísio de Freitas trabalha para enfatizar a autoria estadual do projeto. Este embate também ficou evidente no início da atual gestão, quando houve desencontro sobre a participação de ambos na inauguração de uma ponte em Guarulhos.
"Isso apareceu no fim da semana nas primeiras inserções partidárias que o PT teve direito de veicular nesse período de pré-campanha. A ideia foi trazer tanto o presidente Lula quanto Fernando Haddad dando visibilidade para essas obras", lembrou a analista.
A estratégia também visa melhorar o desempenho de Haddad no interior paulista, tradicionalmente um desafio para candidatos do PT. A ideia é mostrar aos eleitores dessas regiões que muitas das grandes obras realizadas em suas cidades contaram com expressiva participação de recursos do governo federal, contrapondo-se à narrativa construída pelo atual governador.


