Blocos de Carnaval planejam festas alternativas; confira programação

Após cancelamentos e muitas críticas de uma “camarotização” dos blocos de rua, organizadores organizam eventos para manter a festa apesar da pandemia

Sem Carnaval de rua em São Paulo, blocos organizam eventos fechados durante o mês de fevereiro
Sem Carnaval de rua em São Paulo, blocos organizam eventos fechados durante o mês de fevereiro Julia Chequer/Divulgação

Luis Felipe Abreucolaboração para a CNN

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Pouco menos de duas semanas após o cancelamento do Carnaval de rua por todo Brasil, as decisões sobre o que fazer com a festa e com os envolvidos por ela ainda são debatidas entre os blocos. Com críticas à condução da organização pelo poder público e desejos de não passar por um segundo ano sem atividades, os grupos discutem alternativas.

Desde o começo de janeiro, com a escalada de novos casos de Covid-19, as cidades começaram a anunciar o cancelamento de suas festas de Carnaval de rua. Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Belo Horizonte estão entre as diversas capitais que, uma a uma, viram vetos ao acontecimento das festividades pelo segundo ano seguido.

Mesmo antes dos anúncios oficiais das prefeituras, as associações dos blocos consideravam a situação difícil para as saídas. “[Estamos] totalmente inseguros quanto à possibilidade de realização do nosso Carnaval, quanto às alternativas possíveis para amparar toda a cadeia produtiva envolvida no Evento”, anunciou um manifesto publicado em 5 de janeiro pelo Fórum de Blocos de Carnaval de Rua de São Paulo, pela União dos Blocos de Carnaval de Rua do Estado (UBCRESP) e pela Comissão Feminina de Carnaval de SP.

Já nessa quarta-feira (19), a Desliga dos Blocos do Rio de Janeiro emitiu um comunicado reafirmando sua recusa em desfilar, mesmo que de forma não oficial. A posição das entidades concorda também que os cancelamentos, embora necessários, vão também no sentido de uma privatização da festa – que a Desliga dos Blocos chama de “camarotização”.

Carnaval RIo de Janeiro
Carnaval de Copacabana em 2018 / Marco Antônio Teixeira/Riotur

Antes dos vetos, algumas cidades chegaram a propor a realização das saídas em espaços fechados, como o Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Também chama atenção que o veto aos blocos de rua não tenha se estendido aos desfiles das escolas de samba, realizados em espaços fechados e com cobrança de ingressos.

“Uma decisão séria sobre o tema deveria incluir o adiamento de todos os tipos de eventos e não apenas aqueles que são realizados em praça pública e de forma gratuita”, escreveu a Desliga em sua nota.

“Em São Paulo, desde 2018 vemos iniciativas de confinar os blocos, em circuitos e locais restritos, como foi a proposta de um ‘Blocódromo’”, diz, em conversa com a CNN, o músico Thiago França, organizador do bloco A Espetacular Charanga do França. “Agora parece que a pandemia virou a desculpa perfeita para a implementação desse sistema de diversão controlada”, reflete.

A recusa em botar o bloco na rua (ou em circuitos privados) não quer dizer, porém, que o samba não continua. O atual cenário, que permite apresentações e shows, oferece uma via alternativa aos blocos, que movimentam toda uma cadeia de renda e empregos para o setor da cultura.

“Nós da Charanga passamos todo o período da pandemia respeitando as determinações sanitárias e as decisões do poder público: não saíamos quando não era recomendado, não tocávamos quando não era permitido. Agora, não vai ser diferente. Vamos fazer o que for possível e seguro de fazer”, conta França, compartilhando que o plano do grupo é fazer shows, no formato banda. Até o período do Carnaval já há algumas apresentações marcadas, embora o período da festa mesmo ainda seja incerto.

No que há clareza é na posição em relação à realização oficial das saídas. “Se a prefeitura decidir, mais perto do Carnaval, de voltar atrás, não vai dar certo e nós não vamos participar”, diz França, lembrando que a organização dos blocos é complexa, e não pode ser feita de última hora.

Confira abaixo alguns eventos realizados pelos blocos nas próximas semanas:

Charanga do França – São Paulo

Sempre aguardada nas segundas de Carnaval nas ruas de Santa Cecília, a Charanga surgiu como banda e volta ao formato para realizar shows, como já fazia em anos anteriores, fora do período das festas. Agora, nesta fase de novas cautelas com a situação sanitária, o grupo tem adaptado suas apresentações e dado preferência a lugares aberto e/ou arejados, e que tenham protocolos sanitários claros. Em fevereiro, já há quatro shows marcados.

Charanga do França no Mundo Pensante
Dias e horários: 3 e 17 de fevereiro, às 21h
Local: Mundo Pensante (Rua Treze de Maio, 830, Bela Vista, São Paulo – SP)

Charanga do França na Casa de Francisca
Dia e horário: 22 e 23 de fevereiro, às 21h
Local: Casa de Francisca (Rua Quintino Bocaiúva, 22, Sé, São Paulo – SP)

Agrada Gregos – São Paulo

O maior bloco LGBTQIA+ de São Paulo costuma arrastar multidões pelas ruas, mas também organiza tradicionalmente seu próprio festival. Neste ano, a festa retorna o cancelamento do ano passado e tem uma programação dividida em quatro dias, com shows de artistas como É O Tchan, Gretchen e Luisa Sonza. Blocos tradicionais da festa paulistana, como o Minhoqueens, o Domingo Ela Não Vai e o Desculpa Qualquer Coisa também se apresentam em palcos ao ar livre.

Festival Agrada Gregos
Dias e horários: 22, 23, 24 e 25 de janeiro, às 17h
Onde: Sonora Garden (Rua Comendador Nestor Pereira, 33, Canindé, São Paulo – SP)

Acadêmicos do Baixo Augusta – São Paulo

O grupo é um dos responsáveis pela revitalização da festa de rua na capital paulista, valorizando a região da Consolação. Neste ano, ainda não há planos de atividades alternativas ao cancelamento da festa. Porém, o bloco se apresenta no formato banda, comandado pelo músico Simoninha, em uma roda de samba gratuita no Studio SP.

Roda de Samba do Acadêmicos do Baixo Augusta com Simoninha e convidados
Dia e horário: 6 de fevereiro, às 14h
Onde: Studio SP (Rua Augusta, 591, Consolação, São Paulo – SP)

Cordão da Bola Preta – Rio de Janeiro

O tradicional bloco de rua do Rio de Janeiro tem desejo de realizar bailes na própria sede, com exigência de passaporte vacinal, durante o período do Carnaval. Mas ainda não há planos mais concretos. “Estamos aguardando pra ver quais serão as diretrizes do poder público e da situação sanitária da cidade”, explicou Carolina Salgada, assessora do Cordão. De confirmado, o bloco tem apenas uma festa, no bairro do Méier, em 9 de fevereiro, como parte do projeto Quartas Brasileiras.

Baile do Bloco Cordão do Bola Preta
Dia e horário: 9 de fevereiro, às 16h
Local: Barril 800 (Rua Adolfo Bergamini, 371, Méier, Rio de Janeiro – RJ)

Carnageralda – Rio de Janeiro

Um dos coletivos mais animados do circuito da festa carioca promete cobrar com juros o cancelamento total das atividades em 2021. Para não deixar também 2022 passar em branco, o grupo vai realizar festas no Rio de Janeiro, e também em São Paulo, no mês de fevereiro.

Carnageralda
Dia e horário: 12 de fevereiro (SP) e 19 de fevereiro (RJ), às 18h
Local: a confirmar

Bangalafumenga – Rio de Janeiro

O bloco é sempre ativo com atividades e oficinas, mesmo que o foco seja no Carnaval, quando atrai centenas de milhares de pessoas para o Aterro do Flamengo. Sem previsão de um retorno às ruas neste ano, o Bangalafumenga vai levar sua bateria completa para os palcos na terça de Carnaval. O bloco vai se apresentar junto da cantora Maria Rita, em seu show “Samba da Maria” na Fundição Progresso.

Samba da Maria
Dia e horário: 1º de março, às 21h30
Local: Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24, Lapa, Rio de Janeiro – RJ)

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