Como o Los Angeles Lakers montou a equipe campeã da NBA após fracasso de 2019


Da CNN, em São Paulo
11 de outubro de 2020 às 23:06 | Atualizado 12 de outubro de 2020 às 19:09
Los Angeles Lakers Miami Heat

Time do Los Angeles Lakers durante a final: LeBron foi destaque mais uma vez, com um triplo duplo

Foto: Twitter/NBA

O Los Angeles Lakers se sagrou, pela 17ª vez, campeão da NBA. Neste domingo (11), o Lakers venceu o Miami Heat por 106 a 93 e encerrou a série final em 4 a 2. Esse resultado fez com que o time da estrela LeBron James se igualasse ao rival Boston Celtics como a equipe com mais títulos do campeonato de basquete. 

Mas o resultado deste ano tem muito a ver com o passado recente da franquia. A montagem do elenco dos Los Angeles Lakers começou em 2018.

Não por conta de nenhum general manager ou técnico, mas sim por LeBron James, que naquele momento jogava sua última temporada no Cleveland Cavaliers antes de partir para a Califórnia e se juntar a um dos times mais tradicionais da National Basketball Association.

Em 2017, LeBron e os Cavaliers jogavam sua terceira final de NBA consecutiva, porém na imprensa americana o assunto já era o destino do “rei” quando seu contrato terminasse em 2018.

Os times de Los Angeles, Lakers e Clippers, eram tidos como favoritos, porém James não poderia chegar a uma nova equipe para começar do zero - Ele precisava de grandes parceiros, como aprendeu no Miami Heat com Dwyane Wade e Chris Bosh, e na sua segunda passagem pelos Cavaliers com Kyrie Irving e Kevin Love.

Quando finalmente assinou com os Lakers, se deparou com uma equipe que vinha lidando com a mediocridade há anos.

Até conseguiu elevar o nível do time em seu primeiro ano na Califórnia, mesmo sem grandes contratações. Porém, uma lesão incomum em sua carreira fez com que LeBron ficasse fora dos playoffs, quebrando uma sequência de 8 finais consecutivas na NBA.

Anthony Davis, o parceiro ideal

Para a temporada 2019-20, James estava determinado a montar uma equipe que lhe desse condições de disputar o título, e, com 16 anos na NBA, sabia que precisava de uma outra estrela para tal. Voltemos para 2018.

Era o penúltimo ano de contrato do Anthony Davis no New Orleans Pelicans, o time mais jovem da NBA que contava com um dos maiores talentos brutos da liga. Apesar do enorme potencial, a equipe nunca conseguiu passar do segundo round do mata-mata da liga e Davis via seu potencial sendo desperdiçado. Entra Rich Paul.

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Em 2018, Davis mudou de agente e assinou com a agência Klutch Sports, de Rich Paul, amigo de longa data de LeBron James. A aproximação aumentou os rumores de que o jogador poderia se juntar ao Rei. 

Mesmo com dois anos de contrato para cumprir com os Pelicans, Davis já tinha seu planejamento próprio e na metade da temporada 2018-19, pediu para ser trocado aos Lakers. A notícia não caiu bem no time de New Orleans, que se recusou a fazer a troca naquele momento a fez com que Davis amargasse banco para o restante da temporada, mesmo sendo o melhor jogador da equipe.

Ao final da temporada, porém, os Lakers gastaram um rim e mais um pouco para obter Davis: Brandon Ingram, Lonzo Ball, Josh Hart e mais três escolhas de primeira rodada do processo de seleção de jogadores vindo das universidades, o draft.

O valor agora, não parece tão alto já que Davis se tornou o melhor jogador a atuar ao lado de LeBron James e quem diz isso é aquele que é considerado o melhor companheiro de equipe do Rei, Dwyane Wade, que juntos venceram dois títulos da NBA.

Elenco coadjuvante

Um elenco da NBA é formado por 15 jogadores, e enquanto os Lakers contavam com a dupla LeBron e Davis, precisavam de jogadores que exercessem papel para elevar o nível de suas super estrelas. James sabia que para tal, precisava de jogadores que não teriam vaidade em fazer o “trabalho sujo”. Foi então em busca de veteranos, mais importante, veteranos com experiência em vencer.

O maior exemplo desse perfil foi Rajon Rondo, que fez história no maior rival dos Lakers, o Boston Celtics. Lá foi campeão da NBA, se destacando como um jovem jogador no meio de um elenco cheio de veteranos. Teve ótimas temporadas, mas viu seu jogo deixar de ser efetivo quando a liga começou a se focar nos arremessos de três pontos - Rondo sempre preferiu dar uma assistência a pontuar, que nunca foi seu forte. 

Estava sem equipe desde 2017 quando foi chamado para os Lakers, onde recuperou seu jogo, especialmente no mata-mata, onde o “playoff Rondo” voltou a aparecer nos momentos decisivos.

Outro veterano desacreditado que voltou a fazer boas partidas no Lakers campeão 2019-20, foi Dwight Howard, pivô que chegou a ser comparado como o próximo Shaquille O’Neal e foi três vezes eleito o melhor defensor da liga jogando pelo Orlando Magic. Viveu recaída na carreira justamente nos Lakers, aonde chegou como grande estrela em 2012 e saiu em 2013 após temporada decepcionante. 

Rodou por mais quatro times entre 2013 e 2019 sem sucesso até voltar para o time de Los Angeles, agora como coadjuvante. Recuperou seu confiança vindo do banco e foi fundamental nas séries de playoffs contra Denver Nuggets e Houston Rockets, sempre fazendo o trabalho sujo de marcar os pivôs alheios.

Além dos veteranos - que vão além de Rondo e Howard, com Danny Green, Markief Morris e JaVale McGee - os Lakers precisavam da vitalidade de jogadores, com um, porém: LeBron não iria aceitar jovens vaidosos, que exigiriam minutos de quadra e um jogo voltado para eles. Pelo contrário, o perfil buscado era de jogadores voluntariosos e que pudessem continuar correndo mesmo no final das partidas.

Decidiram ficar com Kyle Kuzma, que fora titular dos Lakers de 2018, mas apenas a 27ª escolha do draft de 2017. Outro jovem no elenco do time é Alex Caruso, que não foi selecionado no draft e encontrou seu lugar na NBA através dos times de desenvolvimento. Ter que se adaptar ao que LeBron esperava dele foi apenas mais um desafio em sua carreira.

O técnico

Frank Vogel foi escolhido a dedo por LeBron James, não por seus últimos trabalhos, mas por aquilo que fez com o Indiana Pacers entre 2011 e 2016 onde protagonizou duelos épicos com o Miami Heat de LeBron James e cia., mesmo com um time mais fraco.

A escolha do técnico por LeBron é uma mostra que o jogador valoriza técnicos que sabem fazer alterações na equipe durante as partidas, característica marcante no Pacers de Vogel

Dessa forma, LeBron montou a equipe que, após 10 anos, trouxe o título de volta para Los Angeles, colocando os Lakers como a equipe mais vitoriosa da NBA empatada com os rivais históricos, os Celtics.

Se há algo que podemos tirar deste processo, é que LeBron aprendeu a duras penas a montar equipes competitivas, voltadas para ele, mas também para o objetivo maior, o troféu Larry O’Brien.

(Colaborou: Pedro Borg)