Corte Arbitral do Esporte mantém Rússia fora dos Jogos de 2021 e da Copa de 2022

Tribunal reduz punição aos atletas russos por escândalo de doping, mas impõe dois anos de punição aos russos que terão de ficar de fora de grandes eventos espor

Gabrielle Tétrault-Farber, da Reuters
17 de dezembro de 2020 às 13:37 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 19:04

 


A Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, confirmou nesta quinta-feira (17) que a Rússia não poderá competir em grandes eventos internacionais pelos próximos dois anos. Com isso, o país não poderá disputar com bandeira e hino nacional nos Jogos de Tóquio, em 2021, e as Olimpíadas de Inverno de Pequim e a Copa do Mundo do Catar, ambos em 2022.

A confirmação da punição de dois anos (anteriormente eram quatro) foi com base em escândalos antidopings ocorridos no país.

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A decisão é um duro golpe para a Rússia e o esporte que foi manchado nos últimos anos por uma série de escândalos de doping.

O CAS, com sede em Lausanne, disse que as sanções, que também impedem a Rússia de sediar ou licitar grandes eventos esportivos durante um período de dois anos, entrarão em vigor nesta quinta-feira (17) e terminarão em 16 de dezembro de 2022.

Os russos também não poderão ser nomeados ou participar de comitês ou servir como membros do conselho em organizações que devam obedecer ao código da Agência Mundial Antidoping (WADA).

A WADA acusou a Rússia de plantar evidências falsas e deletar arquivos vinculados a testes de doping positivos que poderiam ter ajudado a identificar drogas fraudulentas.

As autoridades russas, que disseram antes da decisão que esperavam que o CAS levasse em consideração os interesses do país, disseram que as inconsistências nos dados eram puramente técnicas e não o resultado de adulteração.

Repercussão
A Rússia e sua agência antidoping (Rusada) disseram não estar totalmente satisfeitas com a decisão.
"Parece que nem todos os argumentos apresentados por nossos advogados foram ouvidos", disse Mikhail Bukhanov, chefe interino da agência, em um comunicado.

O presidente da WADA, Witold Banka, disse que a agência, que impôs sanções de quatro anos, ficou desapontada com o fato de a corte não ter endossado todas as suas recomendações.

“Este ainda é o conjunto de consequências mais forte já imposto a qualquer país por crimes relacionados ao doping e a sentença endossa claramente a abordagem resoluta e orientada ao processo adotada pela WADA para lidar efetivamente com este caso”, disse ele.

"Isso envia uma mensagem clara de que trapaça institucionalizada e esforços concertados para subverter o sistema antidopagem global não serão tolerados."

Os problemas de doping na Rússia aumentaram desde que um relatório de 2015 encomendado pela WADA encontrou evidências de doping em massa entre os atletas de atletismo do país.

Muitos atletas russos foram afastados das duas últimas Olimpíadas e o país foi privado de sua bandeira nos Jogos de Inverno de Pyeongchang 2018 como punição por doping patrocinado pelo Estado nos Jogos de Sochi de 2014, no sul da Rússia.

A Rússia, que no passado reconheceu algumas deficiências na implementação de políticas antidoping, nega ter um programa de doping patrocinado pelo Estado.