Atletas do Brasil vivem clima de incerteza a 6 meses do início da Olimpíada

País já tem 180 atletas classificados para disputar a competição em 20 modalidades, e a posição do COB (Comitê Olímpico do Brasil) é de que o evento irá ocorrer

Adalberto Leister Filho, da CNN, em São Paulo
23 de janeiro de 2021 às 05:00
Laura Micucci, Luisa Borges, do dueto do nado artístico, e Maria Bruno (reserva) posam na piscina
Foto: Rafael Bello/COB/Divulgação

A seis meses da data estipulada para o início dos Jogos Olímpicos de Tóquio permanece um clima de incerteza sobre o evento, que foi adiado em 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus, surpreendendo atletas de elite de todo o mundo.

O Brasil já tem 180 atletas classificados para disputar a competição em 20 modalidades, e a posição do COB (Comitê Olímpico do Brasil) é de que o evento irá ocorrer, independentemente do estágio em que estiver a pandemia de Covid-19 no planeta.

“Neste momento sugerimos que se mantenha, porque temos consciência de que haverá mecanismos necessários para bloquear essa expansão [da doença]. Mas haverá restrições de chegada, de controle, de quarentena”, afirmou Paulo Wanderley Teixeira, em entrevista ao jornal Novo Dia, da CNN

“Creio que essa Olimpíada não terá público. Por isso que fico mais à vontade para dizer que haverá a Olimpíada. Sem público, mas vai acontecer”, acrescentou o dirigente.

Na última quinta-feira (21), o jornal britânico “The Times” chegou a publicar que o Japão procurava uma maneira de cancelar a Olimpíada de Tóquio devido à pandemia. A ideia, segundo a publicação, é que o Japão fosse a sede em 2032, após os Jogos já marcados de Paris 2024 e Los Angeles 2028.

No dia seguinte, o COI (Comitê Olímpico Internacional) afirmou ser “categoricamente falso” que a Olimpíada será cancelada. 

O presidente da entidade, Thomas Bach, já afirmou que “não há plano B” para a realização da Olimpíada, respondendo sobre a possibilidade de haver novo adiamento.

O governo japonês também se apressou em desmentir o jornal. “Não há verdade na reportagem”, afirmou Manabu Sakai, porta-voz do governo do Japão.

Planejamento difícil

Confirmado o evento, os atletas vivem um ciclo olímpico bastante incomum na história dos Jogos. Em primeiro lugar pela distância de cinco anos da última edição olímpica, a do Rio 2016. Por outro lado, a maioria das modalidades viveu esse ano adicional de preparação de maneira atribulada, com cancelamento de eventos e concentração de classificatórios para os meses pré-Olimpíada. 

“É um planejamento difícil”, afirmou Jorge Bichara, diretor de esportes do COB, em entrevista à CNN. “Há incertezas em todas as decisões que têm que ser tomadas, seja na preparação diária dos atletas e na periodização dos treinamentos, considerando todas as limitações de circulação que atualmente são impostas pela pandemia”, completou Bichara. 

Apesar de todas as adversidades, o COB tem meta ousada de levar entre 250 e 300 atletas ao Japão. “Entendemos que é um número que pode ser alcançado. Ainda temos em disputa vários classificatórios de esportes coletivos”, comentou Bichara. 

De fato, o Brasil ainda disputa classificatórios no masculino no polo aquático (fevereiro), handebol (março), basquete 3 x 3 (maio), basquete e rúgbi (ambos em junho), que podem aumentar a delegação. 

Atletismo, badminton, boxe, caratê, ciclismo, esgrima, ginástica (rítmica e trampolim), judô, levantamento de peso, lutas, maratona aquática, nado artístico, natação, remo, skate, tênis e tiro com arco são esportes que anda podem render mais vagas ao país. 

Luiz Fernando da Silva, pugilista da categoria até 64 kg, treina para o Pré-Olímpico de boxe, que ainda não tem data e local definido
Foto: Rafael Bello/COB/Divulgação

Por conta da pandemia, porém, o COB não fala em meta de medalhas, nem de ouros. Nos Jogos do Rio, com grande investimento estatal e de patrocinadores na preparação, o Brasil terminou na 13ª posição, com 19 medalhas (sete ouros, seis pratas e seis bronzes). 

“Ao longo do ciclo olímpico fizemos boas temporadas, mesmo lidando com cenário de redução de investimentos. O último ano do ciclo dava uma ideia do potencial de conquistas [na Olimpíada]. Infelizmente, com a pandemia, perdemos esse parâmetro. Não sabemos se temos condição de conquistar 10, 15 ou 20 medalhas. Trabalhamos para chegar lá, como estávamos no final de 2019”, afirmou Bichara.

Veja as vagas confirmadas do Brasil na Olimpíada de Tóquio:

  • Atletismo (25)
  • Canoagem slalom (2)
  • Canoagem velocidade (2)
  • Futebol (36)
  • Ginástica artística (5)
  • Handebol (14)
  • Hipismo (7)
  • Lutas (3)
  • Maratona aquática (1)
  • Natação (12)
  • Pentatlo moderno (1)
  • Rúgbi sevens (12)
  • Surfe (4)
  • Taekwondo (3)
  • Tênis (1)
  • Tênis de mesa (6)
  • Tiro com arco (1)
  • Vela (13)
  • Vôlei (24)
  • Vôlei de praia (8)

Total: 180