Olimpíadas 2020 Dia #2: O futebol masculino e o brilho de Simone Biles

No dia que Brasil e Alemanha reeditaram a final olímpica de 2016, a ginasta norte-americana, uma das grandes estrelas da competição, é homenageada no Twitter

Douglas Vieira, Paulo Junior e Leandro Silveira, colaboração para a CNN*
22 de julho de 2021 às 14:11 | Atualizado 22 de julho de 2021 às 14:16
Richarlison comemora 3º gol do Brasil contra Alemanha na estreia em Tóquio
Richarlison (D) comemora terceiro gol do Brasil contra Alemanha na estreia em Tóquio
Foto: Kiichiro Sato - 22.jul.2021/AP

 O segundo dia de competições em Tóquio, véspera da abertura oficial das Olimpíadas, na sexta (23), às 8h (de Brasília), no Estádio Nacional de Tóquio, marcou o reencontro de Brasil e Alemanha em Olimpíadas, cinco anos após a final olímpica que garantiu o primeiro ouro brasileiro na modalidade. Lembrança que, somada ao palco do duelo - o estádio em Yokohama onde, em 2002, ganhamos o pentacampeonato mundial, também contra a Alemanha -, deixava o ambiente otimista, ainda que seja inevitável sempre lembrar do 7 a 1 do Mineirão. 

O jogo começou com a seleção brasileira ensaiando uma goleada: em menos de 30 minutos, Richarlison já havia balançado a rede três vezes, em um primeiro tempo que terminou com o Brasil perdendo um pênalti, com Matheus Cunha.

No segundo tempo, porém, a sensação era de que poderíamos ver uma goleada, que acabou não vindo: aos 12 minutos, com Amiri, e, aos 39, com Ache, a Alemanha encostou no placar e deu um pouco de sufoco nos comandados de André Jardine. Mas Paulinho, nos acréscimos, aumentou para o Brasil e fechou a boa vitória na estreia, que coloca o Brasil na liderança do grupo D.

O nome do jogo, Richarlison, solicitou diretamente ao Everton, time inglês em que atua, a liberação para os jogos. Pediu a camisa 10 assim que conseguiu confirmar sua participação e se coloca como um dos líderes do time, reforçando que disputar uma Olimpíada era um sonho. O desempenho dele mostra que a vontade de jogar era de fato muito grande. 

 Para além da parte desportiva, o atacante combina com o chamado espírito olímpico e, para além da irreverência nas declarações e comemorações, costuma também se envolver e se posicionar a respeito de questões sociais e humanitárias – pautas que, assim como a pandemia, devem ser frequentes durante toda a Olimpíada. 

Covid-19

O Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou mais 12 casos de Covid-19 nesta quinta (22). Entre os novos contaminados, estava a jogadora tcheca de vôlei de praia Markéta Sluková-Nausch, que se junta a outros dois atletas de sua delegação que também perderão os Jogos por conta da doença: o atleta do tênis de mesa Pavel Širucek e o também jogador de vôlei de praia Ondrej Perušic.

A atualização diária divulgada pelo Comitê Olímpico Internacional registra agora 91 casos de Covid na Vila Olímpica.

Ketleyn Quadros e Bruninho
Foto: Divulgação/COB

O Brasil na cerimônia de abertura

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) confirmou que irá com uma delegação mínima, como sugerido, mas não exigido, pelo comitê organizador das Olimpíadas. Assim, o Brasil, que será a 150ª delegação a entrar no Estádio Nacional de Tóquio, contará com dois porta-bandeiras: o levantador Bruninho, que já disputou três finais olímpicas no vôlei – a última na Rio-2016, quando a seleção ficou com o ouro –, e a judoca Ketleyn Quadros, primeira mulher a conquistar uma medalha em esportes individuais para o Brasil, com o bronze que ganhou em 2008, em Pequim. 

A dupla será acompanhada apenas  pelo Chefe de Missão, Marco La Porta, e por mais um oficial administrativo. 

“A decisão foi tomada levando-se em consideração a segurança dos atletas brasileiros em cenário de pandemia, minimizando riscos de contaminação e contato próximo, zelando assim pela saúde de todos os integrantes do Time Brasil”, disse o COB em nota. 

“A missão brasileira respeita a importância e simbolismo da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Bruno e Ketleyn serão legítimos representantes de toda a delegação e irão honrar os mais elevados valores olímpicos ao entrarem com a bandeira do Brasil no Estádio Olímpico de Tóquio”, finalizou.

Assim como o Brasil, a expectativa é que as demais delegações olímpicas sigam a mesma tendência e a cerimônia de abertura seja bastante esvaziada, bem diferente dos mais de 10 mil competidores que costumam marchar para dentro um estádio lotado.

Cai o diretor da abertura

A cerimônia de abertura também não contará com a presença do comediante Kentaro Kobayashi, que dirigiu a apresentação. A notícia surgiu na véspera do evento. O comitê organizador dos Jogos demitiu o artista por conta da repercussão de uma piada que ele fez sobre o Holocausto durante uma apresentação realizada em 1998.

O caso não é isolado. Dias antes, o músico Keigo Oyamada já havia deixado o evento após relatos de bullying e comportamento abusivo virem à tona. Mais atrás, em fevereiro, o então presidente da Tóquio 2020, Yoshiro Mori, renunciou após fazer um comentário depreciativo sobre uma popular artista do país. 

Essa série de escândalos envolvendo membros da cerimônia pode ter desencorajado parte do público que acompanharia a abertura, número que é, de qualquer forma, bastante restrito: cerca de 950 pessoas, incluindo staff e jornalistas, devem estar presentes para acompanhar de perto as performances e atletas no estádio.

Ginasta Simone Biles, dos EUA, pratica na trave durante treino em Tóquio para as Olimpíadas
Foto: Gregory Bull - 21.jul.2021/AP

Sobe #SimoneBiles

A atleta norte-americana da ginástica é uma das grandes atrações das Olimpíadas e todo furor que seu nome deve causar na competição já ganha força nas redes. Simone ganhou um emoji especial para ser citada na rede social Twitter. Sempre que alguém usar #SimoneBiles, ou mesmo apenas #Simone, surgirá um bode vestido com roupas de ginasta e levando uma medalha de ouro. Em inglês, o termo "greatest of all time" vira a sigla GOAT, que tem a mesma grafia que a palavra bode na língua inglesa.

Passados os longos reinados de Michael Phelps e Usain Bolt, a norte-americana é uma grande candidata a protagonizar a performance mais marcante desta edição dos Jogos. Em 2019, ela se tornou a ginasta com mais medalhas da história do Campeonato Mundial da modalidade; em sua primeira participação olímpica, no Rio de Janeiro, ganhou cinco, sendo quatro de ouro e uma de bronze. Vem mais em Tóquio!

(Com informações do Olimpíada Todo Dia)