Aliado conservador de Bolsonaro é reeleito na Polônia

Andrzej Duda aprovou uma sequência de reformas que diminuem a independência do Judiciário no país europeu

Lourival Sant'Anna
Por Lourival Sant'Anna, CNN  
14 de julho de 2020 às 10:55 | Atualizado 14 de julho de 2020 às 20:37

O deputado Eduardo Bolsonaro comemorou no Twitter a reeleição do presidente da Polônia, Andrzej Duda, que aprovou uma sequência de reformas que diminuem a independência do Judiciário. A última lei aprovada por exemplo pune os juízes que criticam o governo.  No dia 6, Duda propôs uma lei que proíbe a adoção de crianças por casais homossexuais. Além de homofobia e de minar a independência do Judiciário, ele é acusado de xenofobia e antissemitismo.

Pelo conjunto da obra, a União Europeia ativou contra a Polônia o Artigo 7 de sua Constituição, que pode levar à perda do direito do voto do país membro que viola as normas do bloco, como os princípios democráticos. 

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No tuíte, Eduardo Bolsonaro diz: “O povo polonês garantiu a continuidade do projeto conservador que tem salvo o país, reelegendo o Presidente Andrzej Duda. Parabéns, @AndrzejDuda! Brasil e Polônia seguirão sua irmandade, juntos na luta contra o comunismo e a favor da liberdade!” 

O tuíte é ilustrado com foto dos presidentes Jair Bolsonaro e Andrzej Duda se cumprimentando, com as bandeiras dos dois países ao fundo. Eles se reuniram no Fórum de Davos em janeiro do ano passado. As bandeiras são uma montagem aplicada sobre o fundo da sala onde ocorreu a reunião.

Aproximação com Brasil e EUA

Jair Bolsonaro recebeu em fevereiro no Palácio do Planalto o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Jacek Czaputowicz. E anunciou que visitaria a Polônia ainda no primeiro semestre. Mas isso não foi possível por causa da pandemia.  No dia 27 de maio, os dois presidentes realizaram videoconferência para celebrar o centenário das relações diplomáticas entre os países.

O comunicado do Itamaraty sobre o encontro virtual afirma que Brasil e Polônia colaboram estreitamente no âmbito do “Processo de Varsóvia”. Liderado pelo governo de Donald Trump, o plano propõe a anexação do território ocupado por Israel na Cisjordânia, e foi rejeitado pelos líderes palestinos e países árabes. A nota cita também que, no contexto das Nações Unidas, os dois governos promovem iniciativas como a "Parceria para as Famílias” e a "Aliança para a Liberdade Religiosa”.

A pauta, abraçada por evangélicos e católicos conservadores contra “ideologias de gênero” e outras “intromissões” liberais, tem adesão também do primeiro-ministro conservador da Hungria, Viktor Orban e de Trump.  O presidente americano recebeu Duda na Casa Branca no dia 24, entre o primeiro e o segundo turno, o que foi uma ajuda importante numa eleição disputada.

Duda derrotou o prefeito de Varsóvia, Rafal Traskowski, um centrista pró-União Europeia (UE), por 51% a 49%, no segundo turno. Depois de sair da esfera de influência da antiga União Soviética, a Polônia se tornou um país sob forte influência dos Estados Unidos. A nova geração de poloneses fala inglês com sotaque americano. 

Trump tuitou: “Parabéns ao meu amigo Presidente @AndrzejDuda da Polônia por sua histórica reeleição! Ansioso para continuar nosso importante trabalho juntos em muitas questões, incluindo defesa, comércio, energia e segurança nas telecomunicações [leia-se bloqueio à chinesa Huawei no 5G]!”

A Polônia é o país que mais recebe ajuda financeira da UE. Existem pressões para vincular essa ajuda ao cumprimento das regras do bloco sobre o respeito ao Estado de Direito e à separação de poderes.