Convenção Republicana começa com Trump candidato e 'otimismo sem limites'

Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, e Nikki Haley, ex-embaixadora dos Estados Unidos na ONU, estão entre os discursos mais aguardados da noite

Da CNN
24 de agosto de 2020 às 20:51
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em Arlington, Virginia
Foto: Tom Brenner - 21.ago.2020 / Reuters

Republicanos irão inaugurar a primeira noite da Convenção Nacional Republicana nesta segunda-feira (24) com a temática centrada na "Terra Prometida". Pela manhã, o partido aprovou oficialmente a candidatura do presidente Donald Trump à reeleição.

Enquanto a Convenção Nacional Democrata não ocorreu presencialmente, os republicanos começaram a convenção deles com a coleta dos votos dos delegados ocorrida em Charlotte, na Carolina do Norte, e então passarão para discursos remotos, a maior parte de um auditório em Washington -- mas também da Casa Branca, em um movimento sem precedentes.

A Convenção Republicana começa quando as primeiras pesquisas desde a reunião democrata mostram que o adversário, Joe Biden, se tornou mais popular, mas não ampliou a sua vantagem eleitoral sobre Trump.

Trump e o vice-presidente Mike Pence apareceram na votação dos delegados na Carolina do Norte para agradecer o apoio.

Os principais discursos da noite de segunda incluem alguns dos aliados republicanos de Trump no Congresso, como o líder do partido na Câmara, Steve Scalise, os deputados Jim Jordan e Matt Gaetz e o senador Tim Scott, a ex-embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, e o filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr.

A noite também contará com discursos de pessoas de fora da política que emprestaram as suas vozes para apoiar o governo Trump ou exibiram valores que o presidente recomendou, como o casal de St. Louis filmado apontando armas para um grupo de manifestantes que protestavam andando por uma rua privada da vizinhança.

Começou em Charlotte

Depois de uma série de mudanças na convenção -- da Carolina do Norte para a Flórida e depois de volta para a Carolina do Norte --, a convenção formal começou em Charlotte para um evento presencial antes de transferir o resto do evento para a capital do país.

O processo formal de nomeação começou na manhã de segunda-feira, com a presença de seis delegados de cada estado e território, em um total de 366 delegados, de acordo com o Comitê Nacional Republicano (RNC, na sigla em inglês).

A presidente do RNC, Ronna Romney McDaniel, presidiu o processo de nomeação, que formalmente concluiu que Donald Trump é o indicado do partido para concorrer a presidente.

Após a nomeação, os discursos do horário nobre estão esperados para acontecer no Auditório Andrew W. Mellon, um local a uma distância a pé da Casa Branca e do outro lado da rua do hotel Trump International.

Aparição de Trump e Pence

Donald Trump e Mike Pence fizeram uma participação durante a votação dos delegados nesta segunda em Charlotte, apresentando algumas observações aos delegados.

Trump irá passar a maior parte da manhã e da tarde na Carolina do Norte, de acordo com a sua agenda pública. Ele é esperado para fazer diversas paradas no estado e discursar no programa de alimentação Farmers to Families Food Box (Caixa de Comida dos Fazendeiros para as Famílias, na tradução literal para o português).

O Farmers to Families é um programa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que envia a americanos em necessidade caixas de comida, com frutas, vegetais e carne.

O presidente também é esperado para fazer aparições em cada noite da convenção antes de fazer o discurso de aceitação da candidatura na noite de quinta-feira (27), direto da Casa Branca. 

Agenda para o segundo mandato

O presidente Donald Trump enfrenta dificuldades para alcançar seus objetivos para um mandato no Salão Oval, mas na véspera da convenção, a campanha dele anunciou um conjunto específico de prioridades para o segundo mandato, as quais os oradores da convenção devem mencionar de hoje até quinta-feira.

O Comitê Nacional Republicano também confirmou neste domingo que não irá divulgar uma nova plataforma de governo durante a convenção de 2020 -- em vez disso, a legenda vai endossar a agenda pessoal de Trump.

Muitos dos objetivos contidos na lista divulgada no domingo indicam a continuação das prioridades do presidente, como reduzir o preço dos remédios, o corte de impostos, a diminuição da imigração ilegal para os Estados Unidos, desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus até o final do ano e criar novos empregos.

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Mas algumas prioridades estabeleceram um nível renovado de importância para os assuntos que o presidente não falava muito frequentemente, incluindo o fim da fiança gratuita, limitar a reeleição para o Congresso, considerar tiroteios como terrorismo doméstico e estabelecer uma presença tripulada permanente na Lua.

A lista de objetivos políticos também coloca a China como alvo específico, destinando uma seção de prioridades para o tema, que inclui incentivar os EUA a trazer empregos de volta da China, proibir contratos federais com "empresas que terceirizam a produção para o país" e "culpabilizar a China integralmente por permitir a disseminação do novo coronavírus ao redor do mundo."

Contra-ataque

Republicanos devem rebater a mensagem que os democratas divulgaram na última semana durante a Convenção Nacional Democrata -- que com unidade e ajuda do candidato do partido, Joe Biden, os Estados Unidos podem superar uma temporada de escuridão criada por Trump.

A visão da Convenção Republicana para os EUA de Trump, em contraste, será focada em otimismo e promessas.

"O otimismo sem limites do presidente Trump e a certeza dele na grandeza dos Estados Unidos estão refletidos nos seus objetivos para o segundo mandato contrastam de forma gritante com a visão sombria do país projetada por Joe Biden e os democratas", disse a campanha de Trump em um comunicado.

Os democratas, enquanto isso, planejam rebater a Convenção Republica em enfatizar a presidência "caótica" de Trump em novos anúncios televisivos e digitais, assim como apresentações a serem feitas por líderes importantes do Partido Democrata.

Sombras para a convenção

O impacto do coronavírus sobre o país e outras histórias recentes e desconfortáveis representarão um papel de sombra na largada da convenção.

Quando os republicanos realizaram a sua votação na segunda, mais de 176 mil pessoas nos Estados Unidos tinham morrido pela pandemia que começou a afetar a nação neste ano e continuou durante o verão.

Uma pesquisa recente da CNN, conduzida pela SSRS, descobriu que sete em cada dez americanos se envergonham das medidas adotadas pelo país para combater a pandemia da doença. A mesma pesquisa colocou a responsabilidade da condução por Trump em um novo recorde, 58%.

Tanto Trump quanto os republicanos sustentam que os Estados Unidos estão sendo bem sucedidos em seus esforços durante a pandemia. E no domingo, o dia que antecede o início da convenção, Trump fez uma conferência de imprensa para anunciar a autorização emergencial do uso do plasma convalescente.

A autorização da FDA (Administração de Drogas e Comida, o equivalente à Anvisa nos EUA) para a aplicação emergencial do plasma convalescente no tratamento de pacientes com Covid-19 foi divulgada pouco antes da fala do presidente.

O anúncio vem dias depois de ele acusar pessoas das "profundezas" da agência de atrasar aprovações para prejudicar a sua candidatura.

O início da convenção também acontece na sequência de uma série de notícias desconfortáveis para Trump. Na última semana, o ex-estragista-chefe do presidente, Steve Bannon, fez parte de um grupo acusado por fraudar doações para a uma campanha que visava a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México.

No sábado, o jornal The Washington Post divulgou um novo áudio e transcrições de Maryanne Trump Barry com críticas amargas contra o irmão dela, o presidente.

E no domingo, uma das assessoras mais antigas do presidente, Kellyanne Conway, anunciou que vai deixar a Casa Branca, dizendo precisar se concentrar em sua família. Conway está prevista para discursar na convenção na quarta-feira (26).

Outros oradores

Além de parlamentares, o cronograma desta segunda inclui uma lista de oradores que creditaram ao governo Trump e aos republicanos pelos seus sucessos políticos ou que foram exemplos bem-sucedidos de políticas do presidente na prática.

A programação vai incluir o pai de um estudante morto no tiroteio da escola Stoneman Douglas High School em 2018, um candidato do partido ao Congresso que estrelou um vídeo sobre "a realidade das pessoas negras" em Baltimore e o dono de um café que foi o primeiro habilitado para o empréstimo de proteção dos salários em Montana.

Também falarão Patricia e Mark McCloskey, o casal que atraiu a atenção nacional neste verã depois que eles foram filmados apontando armas para um grupo de manifestantes que estavam andando em uma rua privada na vizinhança, a fim de protestar contra o prefeito de St. Louis em defesa da reforma policial.

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No vídeo viral, Patricia segurava um revólver e Mark uma arma de cano longo próximos a mansão do casal, assistindo enquanto manifestantes gritavam para eles e andavam para além da casa.

Em outra cena gravada por câmeras, Patricia está perto dos manifestantes, apontando o revólver para eles.

O casal do Missouri foi acusado em julho de uso ilegal de arma de fogo, um crise de classe E, com possibilidade de pena de prisão entre um e cinco anos.

Mark McCloskey alega que ele estava assustado pela sua vida e segurava a arma para proteger a sua casa e a sua esposa, tendo a Casa Branca defendido as ações do casal em várias oportunidades.

(Com informações de Maegan Vazquez, da CNN. Clique aqui e leia o original em inglês).