Eleição nos EUA: melhores e piores momentos da 1ª noite da Convenção Republicana

Embora Trump tenha prometido um evento mais otimista do que o dos democratas, a maioria dos discursos mostrou o contrário

Chris Cillizza, da CNN
25 de agosto de 2020 às 10:08 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 10:50
Logo da Convenção Nacional Republicana 2020
Foto: Reprodução- - 25.ago.2020 / Reuters

A Convenção Nacional Republicana dos Estados Unidos 2020 começou nessa segunda-feira (24), com a maior parte da ação realizada em um auditório perto da Casa Branca.

Embora o presidente Donald Trump tenha prometido uma convenção mais otimista e brilhante – ao contrário do que sua equipe viu como uma obscura e depressiva visão do país oferecida pelos democratas na semana passada –, a maioria dos discursos foi tudo menos isso. No geral, o tom foi o seguinte: se Trump não for reeleito, a desgraça certamente virá.

Confira abaixo os melhores e piores momentos da primeira noite do evento.

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Melhores momentos

Nikki Haley

A ex-governadora da Carolina do Sul é vista como uma quase certa candidata à presidência em 2024, e o discurso dela não fez nada para diminuir essa ideia. Na verdade, ele provavelmente a ampliou.

“Se você concorda com o argumento ou a versão dela sobre os fatos, Nikki Haley está fazendo o discurso mais eficaz para Donald Trump até agora”, disse no Twitter David Axelrod, que foi conselheiro sênior do ex-presidente Barack Obama

A visão de Haley sobre os EUA? Uma política externa vigorosa, uma crença na retidão fundamental do país. Ou seja, uma política externa não muito diferente da de Trump, mas embalada em uma retórica menos exagerada e, por isso, muito mais eficaz. 

Ela foi incrível e soltou uma frase que será lembrada daqui a dois anos e meio em Iowa: “Nasci uma menina morena em um mundo preto e branco”.

Tim Scott

O senador pela Carolina do Sul contou bem sua história pessoal. Ele foi adorável, engraçado e criou proximidade com o público. O otimismo de Scott foi uma grande mudança em relação ao tom agressivo adotado por Donald Trump Jr. e Kimberly Guilfoyle.

A fala de Scott sobre a “cultura do cancelamento” também teve certo êxito, já que ele destacou que alguns democratas querem que as pessoas acreditem que as coisas agora estão piores do que em 1860 e 1960.

Para um partido que prometeu otimismo e positividade (e entregou pouco disso), Scott foi uma mudança de rota bem-vinda e eficaz. Além disso, esta pode ter sido a melhor frase da noite: “Minha família foi do algodão para o Congresso em uma vida”.

Jim Jordan

Qualquer um que veja como o congressista por Ohio conduz o Capitólio não esperaria que ele seria o mensageiro escolhido para apresentar o lado mais humano de Trump. E ainda assim, Jordan o fez. 

Após deixar sua marca registrada – críticas rápidas aos democratas no início do discurso –, Jordan contou a história de seu sobrinho que morreu em um acidente de carro, e como Trump conversou com o pai do garoto no telefone para consolá-lo. 

Este é um lado do presidente que quase nunca se vê (a empatia não é o forte dele), contado por um homem que não costuma ser um poço de emoção.

Andrew Pollack

Pai da adolescente morta a tiros em Parkland, na Flórida, em 2018, Pollack contou a história da morte da filha e por que ele acredita que as leis de controle de armas não têm nada a ver com isso.

Piores momentos

Kimberly Guilfoyle

Muitos se perguntaram por que ninguém disse a ela que gritar durante todo o discurso como se estivesse em um grande comício de Trump não funciona tão bem quando se fala para um auditório vazio. O discurso dela foi algo entre estranho e assustador. 

Entrevista de Trump

No começo da convenção foi transmitido um vídeo no qual o presidente parecia entrevistar alguns funcionários da saúde que estão na linha de frente no combate à pandemia de Covid-19 e trabalhadores que atuam em serviços essenciais. Em nenhum momento Trump perguntou o nome dos entrevistados e acabou desenvolvendo uma conversa um tanto estranha com eles.

Ficou claro que Trump estava profundamente desconfortável em fazer aquelas perguntas e depois ouvi-los. Não é uma coisa com a qual ele está familiarizado. Ele costuma ser a única pessoa a falar enquanto os outros escutam.

Charlie Kirk

O fundador da Turning Point USA, uma organização sem fins lucrativos, acabou levando as coisas para um caminho diferente da positividade prometida. Kirk sugeriu que se Trump perder, a civilização como conhecemos chegará ao fim em breve.

“O modo de vida norte-americano está sendo desmantelado por um grupo de ativistas amargurados, enganadores e vingativos”, disse ele.

McCloskeys

O casal armado que foi fotografado defendendo sua propriedade de manifestantes foi convidado a discursar na convenção republicana, e muito do que cada um disse parecia ter saído do programa Saturday Night Live, com Patricia McCloskey alertando repetidamente que “não importa onde você mora, sua família não estará segura em um EUA radicalmente democrata”.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)