Joe Biden visita Kenosha, cidade de Jacob Blake, nesta quinta-feira


Eric Bradner da CNN
02 de setembro de 2020 às 17:09
O ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden

Joe Biden, candidato democrata à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2020

Foto: Reprodução - 20.ago.2020 / Reuters

O candidato à presidência do Partido Democrata Joe Biden vai visitar Kenosha, a cidade em Wisconsin onde o ataque a Jacob Blake, por policiais, incitou protestos contra injustiças sociais, nesta quinta-feira (3), afirmaram porta-vozes de sua campanha.

Biden e a esposa, Jill Biden, “irão à uma reunião da comunidade em Kenosha para unir os americanos a fim de curar e discutir os desafios que terão de enfrentar”, e farão uma outra parada na cidade. 

A viagem ocorre dois dias depois de o atual presidente e candidato à reeleição pelo Partido Republicano, Donald Trump, visitou Kenosha, ignorando as objeções de governantes locais, como a do governador de Wisconsin, Tony Evers.

Ele disse em uma carta para Trump que estava “preocupado que sua presença pudesse atrapalhar a cura dos cidadãos”.

Biden contou a repórteres na quarta-feira (2) que recebeu “muitos convites” dos líderes democratas em Wisconsin para visitar o estado.

“O que nós queremos fazer é nos curarmos. Precisamos arrumar as coisas. Unir as pessoas”, disse Biden.

O ataque a Blake – que o deixou paralisado da cintura para baixo – levou a violência policial, a injustiça racial e a depredação de propriedades em alguns protestos para a linha de frente das pautas da eleição em um dos estados mais importantes na disputa de novembro.

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em Arlington, Virginia

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em Arlington, Virginia

Foto: Tom Brenner - 21.ago.2020 / Reuters

Trump está tentando conquistar pelo menos um dos três estados que o catapultaram para a presidência em 2016: Wisconsin, Michigan e Pensilvânia.

Ele também tenta conquistar Minnesota, onde os democratas venceram, mas que foi um lugar onde muitos danos à propriedade privada foram registrados após o assassinato de George Floyd. Floyd foi assassinado durante uma abordagem policial e morreu sufocado quando um agente se ajoelhou durante minutos em seu pescoço.

A campanha de Trump lançou comerciais na televisão de Minnesota e de Wisconsin na quarta-feira (2) com uma tônica de “lei e ordem”, que insinuaram que Joe Biden apoiava cortar financiamentos da polícia. O candidato democrata já contrariou essa afirmação diversas vezes, dizendo que se opõe à medida.  

Em um discurso na Pensilvânia nessa segunda (1º), Biden acusou Trump de fomentar as agitações em torno de temas raciais – falhando em endereçar a violência policial – e de fugir da responsabilidade sobre a pandemia do novo coronavírus e da crise econômica. 

“Você realmente se sente mais seguro sob governo de Donald Trump?”, Biden disse repetidamente em discurso em Pittsburgh. 

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Ele também condenou a violência, saqueamento e depredação da propriedade privada e acusou Trump de falhar na condenação de Kyle Rittenhouse, adolescente de 17 anos que está sob acusação de ter matado dois manifestantes em Kenosha.

“Eu quero ser muito claro sobre isso: tumultuar não é protestar. Saquear não é protestar. Incendiar não é protestar. Nada disso é protestar. Isso é descumprir a lei, pura e simplesmente. E aqueles que o fizerem devem ser processados”, disse Biden. “Violência não trará a mudança, só trará destruição”.

Biden e sua companheira de chapa, a senadora Kamala Harris, disseram, na semana passada, que conversaram com a família de Blake. Biden também falou com a família de Floyd e a visitou pessoalmente em Houston.

Enquanto estava em Kenosha, na terça-feira (1), Trump não se encontrou com a família de Blake. O presidente declarou que ele não se encontraria com eles, porque os mesmos queriam envolver advogados no caso. 

Durante a viagem, Trump foi questionado por um repórter se ele pensava que o racismo sistêmico é um problema nos Estados Unidos, visto que existem protestos pacíficos no país que pedem o fim dessa injustiça social.

O presidente respondeu: “Bom, vocês só voltam para o assunto oposto. Devíamos estar falando sobre o tipo de violência que vimos em Portland, aqui e em outros lugares”.

“O fato é que nós vimos uma violência tremenda e a reprimiremos muito rápido quando houver chance”, ele completou.