Cinco pontos para ficar atento hoje no debate entre Trump e Biden

Entenda quais serão as chaves de defesa e ataque dos candidatos à Presidência dos EUA

Lourival Sant'Anna
Por Lourival Sant'Anna, CNN  
29 de setembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 29 de setembro de 2020 às 11:23

No seu primeiro debate, que a CNN Brasil transmite ao vivo nessa terça-feira a partir das 22h, Donald Trump e Joe Biden procurarão provar que o adversário não é apto para governar os Estados Unidos. O portal UOL retransmitirá o evento, em uma parceria com a CNN Brasil.

Assim, mais do que defender as próprias qualidades ou propostas, vão mirar em desconstruir o outro, o que deve tornar o duelo particularmente agressivo. Seguem os 5 pontos para você prestar atenção:

1. Com 77 anos, Biden é apenas 3 anos e 5 meses mais velho que Trump. Mesmo assim, o presidente se dedicará a provar que o rival “envelheceu mal”, não é rápido o suficiente nem articula bem as ideias.

Gago na infância, Biden de fato não tem a mesma fluência e domínio de cena de Trump, ex-apresentador do reality show “O Aprendiz”. 

2. Biden se aproveitará de revelações publicadas em livros e reportagens para tentar demonstrar que Trump não está à altura do cargo. Em particular a reportagem publicada nesse domingo pelo jornal The New York Times, que retrata o presidente como um empresário fracassado e sonegador de impostos.

Entre os livros mais recentes, que descrevem o presidente como alguém que coloca seus interesses pessoais e sua vaidade acima do país, estão: “The Room Where It Happened” (“A Sala Onde Aconteceu”), de John Bolton, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional; “Too Much And Never Enough” (“Demais e Nunca Suficiente”), de Mary Trump, sobrinha do presidente e psicóloga; e “Rage" (“Fúria”), do jornalista Bob Woodward.

3. Trump procurará provar que, apesar do perfil moderado de Biden, sua candidatura e eventual governo foram capturados pela “esquerda radical”, e usará como evidências disso suas propostas de "New Deal Verde", substituição das fontes de energia fósseis por renováveis e não-poluidoras, ao custo de US$ 2 trilhões; de reforçar a Lei de Assistência Acessível, ou Obamacare, que impõe regulações sobre os planos de saúde, como o atendimento de doenças preexistentes; aumento de impostos para grandes empresas e famílias de renda alta; obrigatoriedade do uso de máscaras e restrição da circulação das pessoas, onde for necessário para conter o coronavírus; o deslocamento de verbas da polícia para programas sociais e protestos violentos contra o racismo em algumas cidades administradas por democratas; e a própria escolha de Kamala Harris, que abraçou propostas da esquerda democrata, como sua vice.

O candidato democrata deve reiterar que é a favor dos protestos, não da violência, e que os distúrbios ocorrem “na América de Trump”, não na dele. 

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4. Os dois disputarão o legado do alto crescimento e desemprego baixo, antes da pandemia. Trump dirá que a economia americana nunca tinha tido indicadores tão bons, incluindo para as minorias negra e hispânica, quanto no seu governo.

Biden lembrará que foi o governo de Barack Obama que colocou a economia americana nos trilhos, e que coube a ele, como vice, elaborar e colocar em prática o pacote de resgate de empresas e famílias da crise financeira em 2009. 

5. Biden argumentará que o déficit comercial dos Estados Unidos em relação à China nunca foi tão alto quanto sob o governo Trump, rebatendo as acusações do presidente de que ele seria complacente com a China.

O candidato democrata apresentou um plano que combina impostos mais altos para empresas americanas que produzem no exterior e incentivos para bens fabricados nos EUA, para atrair os empregos de volta. Trump, por sua vez, diz que ninguém foi tão duro quanto ele com a China, e que mudou o acordo comercial com o Canadá e o México, assinado no governo democrata de Bill Clinton, para torná-lo mais proveitoso para os EUA.

Biden provavelmente acusará Trump de ser complacente com o presidente russo, Vladimir Putin, e prometerá uma política externa assertiva.