Em sabatinas, Trump é vago sobre Covid-19 e Biden se diz aberto a ampliar Corte


Maeve Reston e Stephen Collinson, da CNN
16 de outubro de 2020 às 00:11 | Atualizado 16 de outubro de 2020 às 08:34

Donald Trump e Joe Biden tiveram que responder a perguntas difíceis na noite desta quinta-feira (15), durante sabatinas simultâneas transmitidas pela televisão americana. Enquanto o republicano participou de debate com eleitores na NBC, o democrata respondeu a perguntas na rede ABC.

Trump tentou defender a resposta de seu governo à pandemia do novo coronavírus e foi questionado sobre suposta conivência com supremacistas brancos. Biden, por sua vez, foi repetidamente pressionado para esclarecer sua posição sobre se apoiaria o acréscimo de membros à Suprema Corte e suas posições sobre tributações. Ele também foi forçado a explicar seu comentário polêmico de que, se um negro americano não apoiá-lo, ele "não é negro".

Em um dos momentos que mais repercutiram na noite, Trump admitiu que pode não ter feito um teste de Covid-19 no dia de seu debate com Biden, embora tenha sido obrigado a fazê-lo pela Comissão de Debates Presidenciais e testado positivo para o novo coronavírus dois dias depois.

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O republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden durante primeiro debate

O republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden durante primeiro debate presidencial nos EUA

Foto: Reprodução/CNN (29.set.2020)

Trump se recusou a dizer quando teve seu último teste negativo antes do debate e não expressou nenhum arrependimento pelo evento em Rose Garden, que agora é amplamente visto como um evento que disseminou o vírus entre republicanos, onde os participantes não estavam socialmente distantes e não usavam máscaras.

Enquanto isso, em um incrível momento de tela dividida a menos de três semanas do dia da eleição, Biden respondia a perguntas dos eleitores na ABC e criticava a resposta do presidente à pandemia.

"Ele não falou sobre o que precisava ser feito porque continuava preocupado, a meu ver, com o mercado de ações", disse Biden sobre Trump. "Ele se preocupava se falasse sobre o quão ruim isso poderia ser, a menos que tomássemos medidas de precaução, então, de fato, o mercado cairia. E seu barômetro de sucesso da economia é o mercado."

Biden responde sobre ampliar Suprema Corte

Biden tentou esclarecer sua posição sobre "embalagem do tribunal" - o termo para adicionar juízes à Suprema Corte a fim de obter decisões mais simpáticas a suas ideologias - após semanas tentando fugir da questão.

No início de sua resposta, o democrata reiterou mais uma vez que "não é um fã" de empacotamento judicial, mas disse que sua posição dependerá de como a confirmação da Suprema Corte da juíza Amy Coney Barrett será "conduzida". Questionado sobre o que isso significa, Biden disse que dependeria de haver um debate "real" no plenário do Senado. "Estou aberto, considerando o que vai acontecer a partir desse ponto", disse ele.

Pressionado por George Stephanopoulos, da ABC, se os eleitores têm o direito de saber sobre sua posição, ele disse: "eles têm o direito de saber minha posição. Eles têm o direito de saber onde estou antes de votar."

"Então, você sairá com uma posição clara antes do dia da eleição?" Stephanopoulos perguntou.
Biden respondeu: "Sim. Dependendo de como eles lidam com isso."

Os planos para os dois candidatos se encontrarem frente a frente em uma sabatina onde responderiam às perguntas dos eleitores evaporaram após o diagnóstico de coronavírus de Trump, em meio a temores de que ele pudesse ter exposto Biden e outros ao vírus durante o primeiro debate caótico.

A Comissão de Debates Presidenciais propôs um debate virtual, mas Trump recusou - levando Biden a fazer seus próprios planos com a ABC para uma sabatina individual. A campanha de Trump então providenciou para que o presidente fizesse sua própria sabatina com a NBC no mesmo horário.

Isso significa que a pequena porção de americanos que ainda não se decidiram nesta eleição fortemente polarizada foi forçada a alternar entre os dois eventos da rede, com Trump em Miami e Biden na Filadélfia. Embora ainda faltem mais de duas semanas para a eleição, mais de 17 milhões de votos já foram lançados em 44 estados e no Distrito de Columbia, sinais do que pode ser um comparecimento histórico neste ano