Os melhores e piores momentos do último debate entre Trump e Biden

Foi a última vez que os dois candidatos à presidência dividiram o palco antes de eleições de 3 de novembro

Chris Cillizza, da CNN
23 de outubro de 2020 às 08:24 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 09:01
Donald Trump e Joe Biden no último debate entre os dois
Foto: Reprodução - 22.out.2020 / Reuters
 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-vice-presidente Joe Biden participaram de um debate de verdade na noite dessa quinta-feira (22) na cidade de Nashville, no Tennessee. Foi a última vez que os dois candidatos à presidência dividiram o palco antes de eleições de 3 de novembro.

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Diferente do primeiro debate, realizado em setembro, desta vez os dois realmente se engajaram (de um modo geral) nos assuntos, conduzidos habilmente pela moderadora Kristen Welker. Veja abaixo os melhores e piores momentos da noite.

Melhores momentos

Joe Biden

O ex-vice-presidente não foi perfeito, mas fez tudo o que precisava, dado o primeiro lugar que ocupa nas pesquisas, e conseguiu até entregar as melhores frases da noite. Sobre o novo coronavírus, Biden zombou de uma frase de Trump – "estamos aprendendo a viver com ele" –, ao dizer "estamos morrendo com ele".

Após uma longa discussão sobre as famílias de cada um e alegações de corrupção, o democrata virou para a câmera e afirmou: "Não se trata da família dele ou da minha. É sobre a sua família". E quando o debate passou a abordar a questão do racismo, Biden declarou: "Esse homem [Trump] tem um apito de cachorro do tamanho de uma buzina de neblina".

Essas frases devem ser repetidas várias vezes na cobertura pós-debate, e isso é bom para Biden. Contudo, não houve somente coisas boas. As respostas aos ataques de Trump, sobre por que ele não fez mais com relação à imigração ou questões relacionadas ao racismo durante os oito anos em que esteve na vice-presidência, foram fracas. Biden apenas culpou o Congresso, então controlado pelos republicanos.

E ao final do debate, o democrata ainda parecia perder a linha de raciocínio. Ele nunca vai ser um grande debatedor, mas fez o suficiente nessa quinta para manter a corrida quase exatamente onde está: com ele como favorito.

Kristen Welker

Não há dúvidas que a correspondente da Casa Branca da emissora NBC foi a melhor moderadora desta temporada de debates. Ela se recusou a ser intimidada por Trump ou deixar qualquer um dos candidatos falar por cima dela.

Welker se ateve às perguntas que queria fazer, incluindo algumas difíceis tanto para Trump (sobre impostos) quanto para Biden (sobre o envolvimento dele em uma lei criminal de 1994). Ela foi ajudada pelos microfones no mudo durante determinados momentos. E Trump estava bem menos agressivo neste debate do que no anterior.

Welker jogou habilmente. Não atraiu atenção para si ou fez de si uma questão do evento. Ela conduziu, na maior parte do tempo, um debate de verdade entre os dois candidatos.

O botão mudo

Ele não foi utilizado tanto quanto os partidários de cada lado esperavam, mas não há dúvidas de que o medo de ter o microfone desligado abruptamente funcionou para conter Trump e Biden. Será que o recurso pode se tornar permanente daqui para frente?

Piores momentos

Donald Trump

O presidente se saiu muito melhor no debate dessa quinta do que no primeiro. Claramente ele foi convencido pelos auxiliares de campanha de que interrupções constantes no evento anterior foram desastrosas para ele, politicamente falando, e teria que se comportar desta vez. Trump tentou fazer isso.

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Ele elogiou Welker em um determinado momento pela maneira como estava moderando o debate. Na maior parte da primeira hora, ele mostrou um nível de disciplina raro de ver durante o mandato como presidente. Os ataques ao longo tempo de Biden na política foram eficazes, assim como o lembrete repetitivo de que o democrata ficou oito anos na vice-presidência e não fez nada.

Então por que Trump está na lista de piores momentos? Por três razões.

• Um: ele está atrás de Biden nas pesquisas e precisava usar o debate para mudar o curso da corrida presidencial. Ele não fez isso.

• Dois: Trump não conseguiu manter o tom quase presidencial durante todo o evento. Ao final, ele começou a falar sobre como era a "pessoa menos racista" do prédio e insistiu que sabia mais sobre esse assunto do que Biden.

• Três: Trump disse muitas mentiras.

Verdade

Desde a primeira resposta, quando disse que mais de 2 milhões de norte-americanos teriam morrido se ele não tivesse agido tão rápido com relação à Covid-19, até a última, sobre como o sistema de aposentadoria do país vai entrar em colapso se Biden for eleito, Trump mostrou um notável desdém pelos fatos e pela verdade.

"Da perspectiva mentirosa, Trump foi ainda pior do que no primeiro debate", escreveu no Twitter o jornalista Daniel Dale, da CNN. Para ser claro: a vontade do republicano de exagerar, enganar e mentir descaradamente não vai mudar o que muitas pessoas pensam sobre ele, para o bem ou para o mal. Mas os fatos e a verdade ainda importam.

Mudanças climáticas

Qualquer cientista que for questionado sobre qual o problema mais urgente da geração atual, vai responder que é o aquecimento global. Mas pareceu que as mudanças climáticas não deveriam ter sido o último tópico do debate. E as respostas curtas dos candidatos, principalmente Trump, foram quase constrangedoras. "Temos muitos programas diferentes", disse o republicano, quando questionado sobre o assunto. "Eu amo o meio ambiente", afirmou ele.

Liberais

A esquerda ficou desanimada não só pela insistência de Biden de que ele nunca vai proibir o método de fraturamento hidráulico (que permite a extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo), mas também pela resposta dele aos ataques de Trump, com relação ao fato de o democrata estar em dívida com as políticas impostas a ele pelos liberais do partido. "Sou Joe Biden", disse Biden. "Eu venci todos eles."

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)