Com França em lockdown, família de brasileira morta em Nice recorre ao consulado

Familiares tentam se despedir de Simone Barreto Silva, uma das vítimas do ataque ocorrido na basílica de Notre Dame

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
30 de outubro de 2020 às 07:45 | Atualizado 30 de outubro de 2020 às 08:01


 

A família da brasileira Simone Barreto Silva, morta no ataque ocorrido em Nice, na quinta-feira (29), está em contato com o Consulado-Geral do Brasil, na França. Fontes do Itamaraty afirmaram à CNN que pode ser necessário equacionar a ida da família até o país, devido às dificuldades de momento. Desde março, por causa da pandemia, a União Europeia decretou o fechamento das fronteiras. Nesta semana, a França entrou novamente em lockdown, por causa da segunda onda do coronavírus. Autoridades francesas também elevaram o alerta de segurança ao máximo, após o atentado.

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Simone Barreto Silva, uma das vítimas do ataque em Nice
Foto: Reprodução / Simone Barreto Silva via Facebook

Quem decidirá se a família da brasileira poderá entrar ou não será a Imigração, órgão do Ministério do Interior.

A família de Simone é da Bahia. A irmã dela tem buscado informações no consulado. Uma prima da vítima mora na França.

Simone tinha 44 anos e morreu após ser esfaqueada na basílica de Notre Dame de Nice. Ferida, ela chegou ensanguentada a um restaurante em frente à igreja, mas não resistiu. Simone foi uma das três vítimas do atentado, que também vitimou uma idosa e um homem que trabalhava como sacristão. A morte foi confirmada na quinta pelo Itamaraty.

A brasileira morava na França há 30 anos, ela deixa 3 filhos. A mulher tinha nacionalidade francesa e formação de cozinheira. Atualmente trabalhava também como cuidadora de idosos.

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se manifestou com "profundo pesar".

Simone Barreto Silva, uma das vítimas do ataque em Nice
Foto: Reprodução / Simone Barreto Silva via Facebook

“Cristofobia”

o presidente Jair Bolsonaro atribuiu o atentado à basílica de Notre Dame à “cristofobia”, que é considerada a perseguição de cristão. Bolsonaro repetiu uma expressão utilizada na Assembleia da ONU. Essas declarações são alvo de críticas porque abrangem apenas uma crença, uma religião. Também são controversas porque o Brasil é um país laico, em que, em tese, não há a combinação de discurso políticos com religião.

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Foto: Eric Gaillard - 29.out.2020 / Reuters