Perto do feriado de Ação de Graças, EUA enfrentam momento crítico da pandemia

País registrou seu 20º dia consecutivo com mais de 100.000 novos casos de Covid-19 e o 13º dia consecutivo em que quebrou recorde de hospitalização

Madeline Holcombe, CNN
23 de novembro de 2020 às 10:31 | Atualizado 23 de novembro de 2020 às 10:35
Fila de ambulâncias do lado de fora de hospital em Nova York
Foto: Brendam McDermid/Reuters (25.set.2020)

Com o aumento do número de casos e hospitalizações pelo novo coronavírus, os Estados Unidos lutam contra o que os especialistas há muito disseram que poderia ser o maior pico na pandemia – e ainda precisa passar pelo feriado de Ação de Graças.

Historicamente, a semana de Ação de Graças é uma das mais movimentadas para viagens. Mas após os EUA registrarem no domingo (22) seu 20º dia consecutivo com mais de 100.000 novos casos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) dos EUA desaconselhou viajar no feriado este ano para diminuir o risco de disseminação de infecções.

À medida que novos casos aumentam, as taxas de hospitalização também aumentam. Pelo menos 83.870 pacientes com Covid-19 estavam hospitalizados no domingo – o 13º dia consecutivo em que os EUA quebraram seu recorde de hospitalização, de acordo com o Covid Tracking Project.

Ainda assim, mais de um milhão de pessoas passaram pelos aeroportos apenas na sexta-feira, de acordo com a Administração de Segurança de Transporte (TSA, em inglês).

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Enquanto as pessoas embarcam em aviões e carregam seus carros para visitar familiares, os Estados Unidos relataram um milhão de infecções em menos de uma semana. 

Desde o início da pandemia, mais de 12,2 milhões de pessoas foram infectadas e 256.783 pessoas morreram por Covid-19, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

Os especialistas em saúde há muito temem que os meses mais frios possam levar as pessoas para dentro de casa, aumentando também as taxas de infecção. 

Na sexta-feira, o CDC informou que 50% dos casos são disseminados por pessoas sem sintomas. Como apenas uma pessoa infectada tem potencial para causar um surto, os especialistas temem que as viagens e as reuniões familiares neste feriado possam ser perigosas para o público norte-americano.

Líderes estaduais alertam contra eventos

À medida que a pandemia devasta regiões em todo o país, muitos líderes estaduais estão pedindo aos seus cidadãos que sigam as diretrizes recomendadas.

O Oregon registrou um recorde por três dias consecutivos, com 1.517 novos casos no domingo. A governadora Kate Brown ordenou um "congelamento social" de duas semanas em 18 de novembro e alertou os residentes no domingo para não comparecerem a grandes reuniões de Ação de Graças.

“Nossos hospitais estão simplesmente sobrecarregados para eventos superdimensionados”, escreveu Brown em sua conta no Twitter.

Em Nevada, os casos estão aumentando em "nível de incêndio florestal", disse o governador Steve Sisolak. 

Ele anunciou que novas restrições começarão na terça-feira (24), incluindo o uso obrigatório de máscara em ambientes fechados e ao ar livre para residentes e visitantes, limitação de reuniões privadas a dez pessoas ou menos e obrigatoriedade de que as reservas em restaurantes sejam para no máximo quatro pessoas em uma mesa.

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El Paso, no Texas, registrou um número recorde de casos ativos até domingo, com 35.963 pessoas infectadas, de acordo com o Departamento de Saúde municipal. 

O aumento de casos motivou a Guarda Nacional do Texas a "fornecer apoio fúnebre", disse o juiz do condado Ricardo Samaniego à KVIA, afiliada da CNN.

Na sexta-feira, Samaniego enviou uma carta ao governador do Texas, Greg Abbott, na esperança de restabelecer um toque de recolher para o condado de El Paso, já que os casos de Covid-19 continuam aumentando na área.

Desenvolvimentos promissor de vacinas

Os americanos ainda terão de esperar, mas há avanços promissores na pesquisa de vacinas contra o novo coronavírus.

A Food and Drug Administration (FDA, em inglês), órgão regulador norte-americano, marcou uma reunião para 10 de dezembro do Comitê Consultivo de Vacinas e Produtos Biológicos Relacionados para discutir um pedido de autorização de uso de emergência para uma vacina candidata, tuitou o Comissário da FDA, Stephen Hahn, no domingo (22).

"Embora não possamos prever quanto tempo levará a análise da FDA, a agência analisará a solicitação o mais rapidamente possível, embora ainda o faça de maneira completa e com base científica, para que possamos ajudar a disponibilizar uma vacina que o povo americano merece o mais rápido possível ", tuitou Hahn.

Na sexta-feira, Pfizer e a BioNTech solicitaram a autorização de uso emergencial para sua vacina, que, segundo eles, demonstrou ser 95% eficaz e não causar problemas de saúde.

O pedido veio dias depois que a Moderna disse que sua vacina foi 94,5% eficaz em um ensaio clínico.

Mesmo que uma vacina receba luz verde do FDA, a maioria dos norte-americanos provavelmente não será vacinada até o fim do primeiro semestre de 2021, dizem especialistas em saúde.

Enquanto isso, especialistas dizem que dezenas de milhares de vidas podem ser salvas ou perdidas – dependendo do comportamento das pessoas.

"Medidas que incluem o uso de máscaras, lavagem frequente das mãos, manutenção de distância física e restrição do tamanho das reuniões continuarão sendo cruciais", disse a Infectious Diseases Society of America.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)