Irã foi alvo diversos ataques a cientistas nas últimas décadas; relembre

A maioria dos assassinados e feridos nos ataques eram estudiosos da área da física nuclear em universidades do país; governo acusa Israel e EUA recorrentemente

Da Reuters
27 de novembro de 2020 às 15:03 | Atualizado 27 de novembro de 2020 às 15:24
Carro de segurança passa em frente a unidade nuclear de Natanz, a 300 km ao sul de Teerã
Foto: REUTERS

Mohsen Fakhrizadeh, que foi assassinado em Teerã nesta sexta-feira (27),  sofreu o ataque mais recente a cientistas nucleares iranianos desde 2012. 

Fakhrizadeh morreu no hospital devido aos ferimentos causados por disparos de armas feitos contra seu carro, segundo as Forças Armadas do Irã declararam em comunicado publicado pela mídia estatal. Ele é descrito pelos ocidentais, israelenses e opositores do regime clerical do Irã exilados como um dos líderes do programa de desenvolvimento de armas atômicas, deflagrado em 2003.

O Irã nega desde então ter buscado criar armamentos a partir da energia nuclear e afirma que o programa de enriquecimento de urânio serviria apenas para o abastecimento energético nacional.

Desde então, diversos ataques contra cientistas iranianos foram registrados nos últimos anos. 

Massoud Ali-Mohammadi

O cientista nuclear Massoud Ali-Mohammadi foi assassinado por uma bomba de controle remoto em Teerã, no dia 12 de janeiro de 2010. As páginas na internet de alguns grupos de oposição dizem que ele apoiava o candidato moderado Mirhossein Mousavi nas disputadas eleições presidenciais de 2009 no Irã, que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad para um segundo mandato.

Oficiais iranianos descreveram o professor de Física como um cientista nuclear, mas um porta-voz da Organização de Energia Atômica do país afirmou que ele não trabalhava para o órgão. Ele lecionava na Universidade de Teerã.

Fontes ocidentais disseram que o professor trabalhava de forma próxima a Fakhrizadeh e Fereydoun Abbassi-Davani, ambos sujeitos a sanções das Nações Unidas por conta de seus empenhos no suposto desenvolvimento de armas nucleares.

Uma lista de publicações de Ali-Mohammadi no site da Universidade de Teerã sugere que sua especialidade era a teoria de física de partículas, e não energia nuclear, um professor ocidental declarou.

Majid Shahriyari

Shahriyari foi assassinado e sua esposa ferida em explosão de uma bomba em um veículo em 29 de novembro de 2010, no que oficiais iranianos chamaram de ataque patrocinado por Israel ou pelos Estados Unidos ao programa atômico.

O chefe da agência de energia atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, disse que Shahriyari tinha papel importante em um dos maiores projetos nucleares do órgão, mas não elaborou a questão, segundo a Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA). Ele lecionava na Universidade Shahid Beheshti.

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Fereydoun Abbasi-Davani

Abbasi-Davani e sua esposa foram feridos também em uma explosão dentro de carro no mesmo dia em que Shahriyari foi morto.

Abbasi-Davani, que era chefe do departamento de Física da Universidade Imam Hossein, foi objeto direto de sanções das Nações Unidas por conta do que oficiais ocidentais afirmaram representar envolvimento em pesquisas suspeitas sobre armas nucleares. 

O ministro da Inteligência na época, Heydar Moslehi, disse posteriormente que: “Esse ato terrorista foi executado por serviços de inteligência como a CIA, Mossad e a MI6. Um grupo que queria executar um ato de terrorismo e não conseguiu também foi preso. Eles confessaram terem sido treinados por esses serviços de inteligência.”

Ele foi indicado para a vice-presidência e chefia da Organização de Energia Atômica do Irã em fevereiro de 2011, segundo a agência de notícias locais Fars, mas foi demitido em agosto de 2013, segundo a IRNA.

Darioush Rezai

Rezai, de 35 anos, foi morto por atiradores em Teerã no dia 23 de julho de 2011. O professor universitário possuía PhD em Física. O ministro do Interior na época, Safarali Baratlou disse que ele não era ligado ao programa nuclear iraniano após alguns veículos terem afirmado que sim.

Mostafa Ahamdi-Roshan

Ahmadi-Roshan, um graduando em engenharia química, foi assassinado por uma bomba plantada em seu carro por um motociclista em Teerã em janeiro de 2012. Outro passageiro do veículo morreu no hospital e um pedestre também foi ferido. O ataque foi similar àqueles de novembro de 2010.

O Irã disse que a vítima era um cientista nuclear que supervisionava um departamento na Instalação de Enriquecimento de Urânio de Natanz. O governo iraniano culpou Israel e os Estados Unidos pelo ataque, sem evidências.