Ambientalista de 11 anos é ameaçado de morte na Colômbia

Após pedir conectividade para os alunos poderem retornar às aulas virtuais, garoto recebeu mensagem nas redes sociais

Juliana Faddul, colaboração para a CNN
30 de janeiro de 2021 às 14:09
Ambientalista Francisco Vera Manzanares
Foto: Reprodução/Twitter 

A última publicação de Francisco Vera Manzanares no Twitter é um campanha em prol ao meio ambiente. A publicação anterior é um chamado para o movimento #GuardianesPorLaVida, para promover educação. Três posts atrás encontra-se fotos de um encontro com líderes do terceiro setor e autoridades do poder público.

Sua foto de perfil foi tirada durante uma palestra. Tal descrição pode remeter a um universitário ideológico, mas a “bio” denúncia: “Tenho onze anos e um propósito: nos unir pelo cuidado com o nosso planeta. Conta ministrada pelos meus pais.”

No entanto, embora estejam orgulhosos da militância do filho, os pais de Francisco estão preocupados. Após publicar no dia 15 de janeiro um pedido ao governo colombiano para que haja conectividade para todos os alunos na volta às aulas virtuais, por causa da pandemia, a criança recebeu uma ameaça de morte.

“Eu que vi essa mensagem porque reviso todas as redes de Francisco. Já tinha recebido muitas piadas, críticas e insultos por causa do ativismo em defesa da vida e do meio ambiente, mas nunca o haviam ameaçado de morte” explicou a mãe do menino ao jornal colombiano El Tiempo, Ana María Manzanares.

Ao ver o comentário, a mãe compartilhou o print da mensagem com familiares e amigos próximos, que rapidamente viralizou na internet. A polícia entrou em contato com ela e está investigando a situação.

A conta, que era falsa e tinha apenas 30 seguidores, foi banida pelo Twitter após denúncias de usuários. A defensoria pública colombiana também se manifestou pela rede social falando que iniciou um “plano de atenção e proteção” na cidade onde ele vive, Cundinamarca.

Carta da ONU e assassinatos na Colômbia

Francisco se tornou famoso no dia 17 de dezembro de 2019, quando discursou no Congresso da República. Após o episódio, conseguiu reunir mais de 38 mil seguidores, foi tema de colunas em jornais e se tornou “amigo virtual” de personalidades ilustres, como a ativista sueca Greta Thunberg.

Após a ameaça de morte, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, assinou uma carta em reconhecimento pelo seu ativismo. O documento foi entregue pessoalmente por um oficial da ONU na Colômbia.

Assassinatos de ativista no país infelizmente não são raros. Em abril do ano passado a ONU fez um comunicado mostrando preocupação com defensores dos direitos humanos no sudoeste da Colômbia. Em 2019 foram assassinados 107 ativistas –sendo que 13 casos ainda estão em julgamento. Deste número, 98%, aconteceram em municípios rurais, região similar onde Francisco vive.