Acordo entre Jeffrey Epstein e mulher que acusou príncipe Andrew de abuso é revelado

Virginia Giuffre acusa o príncipe britânico de tê-la abusado sexualmente quando ela era menor de idade

Príncipe britânico Andrew durante visita a hospital em Londres
Príncipe britânico Andrew durante visita a hospital em Londres David Mirzoeff/Pool via REUTERS

Sonia Mogheda CNN

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Um acordo judicial de 2009 entre o agressor sexual Jeffrey Epstein e Virginia Roberts Giuffre – a mulher que o acusou de abuso sexual e de traficá-la para o príncipe Andrew e outros homens – foi tornado público nesta segunda-feira (3).

O documento revela que Epstein pagou a Giuffre US$ 500.000 para desistir do caso sem que ele precisasse admitir qualquer responsabilidade ou culpa.

O acordo foi aberto como parte de um processo separado de Giuffre contra o príncipe Andrew. Ela alega que Epstein a traficou e a forçou a fazer sexo com seus amigos – incluindo o príncipe – e que Andrew sabia que ela era menor de idade, na época com 17 anos. O príncipe Andrew negou as acusações.

Os advogados de Andrew entraram com uma moção para encerrar o caso, argumentando que o processo dela viola os termos do acordo com Epstein, no qual ela concordou com uma “liberação geral” das reivindicações contra Epstein e outros também.

Na cópia revelada do acordo, o nome de Andrew não aparece explicitamente. O escrito diz que serve para “remeter, liberar, absolver, satisfazer e demitir para sempre” as partes e “qualquer outra pessoa ou entidade que poderia ter sido incluída como réu potencial”, mas não menciona explicitamente nenhuma outra pessoa no documento que a CNN teve acesso.

Dois outros documentos foram protocolados juntos com o acordo, incluindo uma “Estipulação de Demissão” e uma reclamação de Epstein – ambos estão sob sigilo.

O acordo afirma que constitui uma “resolução final” e se destina a evitar litígios, mas “não deve ser interpretado como uma admissão de responsabilidade ou culpa por qualquer parte”. O documento afirma que não deve ser usado em processos civis ou criminais contra Epstein e foi assinado por Giuffre e Epstein em datas diferentes em novembro de 2009.

O advogado de Giuffre, David Boies, divulgou um comunicado dizendo que o acordo é “irrelevante” para sua acusação contra o príncipe.

“A divulgação não menciona o príncipe Andrew. Ele nem sabia sobre isso”, disse Boies. “Ele não poderia ter sido um ‘réu em potencial’ no caso encerrado contra Jeffrey Epstein porque ele não estava sujeito à jurisdição na Flórida e porque o caso da Flórida envolvia reivindicações federais das quais ele não fazia parte”, argumentou o advogado.

“Por último, o motivo pelo qual buscamos que o acordo se tornasse público foi para refutar as alegações feitas pela campanha de relações públicas do Príncipe Andrew”, concluiu Boies.

Já Andrew Brettler, advogado do príncipe Andrew, não fez comentários sobre o documento revelado.

A fase de argumentação no processo civil contra Andrew está marcada para terça-feira (4). Se os advogados do príncipe não tiverem sucesso ou se o caso não for resolvido, a alteza pode enfrentar um julgamento entre setembro e dezembro de 2022. As acusações de longa data contra Andrew já mancharam dramaticamente sua posição pública, e ele se afastou das obrigações reais no final de 2019.

Epstein, que se confessou culpado em 2008 de acusações estaduais de prostituição, foi indiciado por acusações federais de tráfico sexual em julho de 2019 e morreu por suicídio na prisão um mês depois.

Ghislaine Maxwell, aliada e ex-namorada de Epstein, foi presa um ano depois e acusada de facilitar o esquema de abuso sexual de Epstein. Um júri a condenou na semana passada por cinco acusações federais, incluindo tráfico sexual de menor e conspiração.

Giuffre não foi uma das quatro mulheres que testemunharam no julgamento que haviam sofrido abusos.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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