Afirmação do Irã sobre aeronave abatida é falsa, diz Exército dos EUA
TV estatal iraniana havia afirmado que o ataque aconteceu na cidade de Bushehr

O Exército dos EUA afirmou que nenhuma aeronave americana foi abatida perto da cidade de Bushehr, no Irã, nesta quinta-feira (28).
A TV estatal iraniana havia afirmado anteriormente que uma aeronave americana foi destruída na província de Jam, em Bushehr, citando o governador Masoud Tangestani.
"Nenhuma aeronave americana foi abatida. Todos os recursos aéreos dos EUA estão contabilizados", declarou o Centcom (Comando Central dos EUA) em uma publicação nas redes sociais.
🚫CLAIM: Iran's state TV claimed Iranian forces downed a U.S. aircraft near Bushehr. FALSE.
✅TRUTH: No U.S. aircraft were shot down. All U.S. air assets are accounted for. pic.twitter.com/2EaKJ2Fj3d
— U.S. Central Command (@CENTCOM) May 28, 2026
A mídia iraniana também havia informado que as forças armadas do Irã realizaram uma operação de lançamento de mísseis a partir da região sul do país em direção a alvos específicos.
A agência de notícias semioficial Fars acrescentou que o destino dos mísseis não estava claro.
Algumas fontes relataram à Fars a possibilidade de um confronto nas águas do Golfo Pérsico.
Obstáculos para um acordo de paz
Forças americanas e iranianas trocaram ataques na madrugada de quinta-feira (28), mergulhando as negociações em mais incertezas e esclarecendo as demandas não atendidas em um acordo de cessar-fogo proposto.
Horas antes de Washington anunciar um ataque a drones iranianos e a uma base de lançamento no Estreito de Ormuz, o presidente americano Donald Trump insistiu que seu governo ainda “não está satisfeito” com os termos do acordo.
Teerã também intensificou a retórica, prejudicando o andamento das negociações, alertando que “qualquer agressão ou violação do cessar-fogo” por parte das forças armadas americanas “será respondida com força”, após disparar contra uma base americana não identificada no Kuwait.
Até mesmo as mensagens públicas sobre o conteúdo da proposta, conhecida como memorando de entendimento, são permeadas por contradições – com Washington contestando as declarações de Teerã de que o rascunho estipula a retirada das forças americanas e o fim do bloqueio aos portos iranianos.
Arsenal nuclear do Irã
Autoridades iranianas alertaram que só discutirão cláusulas relacionadas ao programa nuclear depois que os negociadores consolidarem a primeira fase de um acordo provisório.
Não se espera que o memorando de entendimento aborde em detalhes o enriquecimento de urânio – um combustível que pode ser usado para construir uma bomba.
Autoridades em Washington têm usado a expressão "Sem pó, sem dólares" para descrever o estoque de urânio altamente enriquecido que Trump exige que seja descartado antes de atender às exigências financeiras de Teerã.
Ativos congelados
O bombardeio conjunto EUA-Israel contra o Irã apenas exacerbou a crise econômica precedida por sanções severas, levando Teerã a exigir o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos armazenados em bancos no exterior.
Na quinta-feira (28), um porta-voz da delegação iraniana afirmou que as autoridades "conseguiram" garantir a liberação de metade dos ativos bloqueados do Irã – avaliados em cerca de US$ 12 bilhões – para serem incluídos no memorando de entendimento, de acordo com a agência semioficial Mehr News, citando Saeed Ajorlu.
Estreito de Ormuz
Bloqueios paralelos entre EUA e Irã contra embarcações não aliadas no Estreito de Ormuz têm provocado flutuações nos preços globais do petróleo e deixado dezenas de milhares de marinheiros presos ao longo da importante hidrovia.
Até o momento, as autoridades em Teerã indicaram que pretendem manter um maior controle sobre a passagem pelo estreito do que antes da guerra. Mas, na quinta-feira, os Estados Unidos sancionaram o órgão recém-criado pelo Irã para obrigar os transportadores a cumprirem suas regras.


