Pfeifer: Perspectiva para a COP é baixa diante de multilateralismo reduzido
Discussões em Belém têm resultados limitados até o momento, com pouca adesão a novas iniciativas, avalia Alberto Pfeifer
A COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas) começa com baixas perspectivas, refletindo uma mudança significativa no cenário internacional em relação à abordagem multilateral, avalia o coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP (Universidade de São Paulo), Alberto Pfeifer.
“O mundo mudou. O mundo do multilateralismo, do acordo entre nações, que levou os principais atores do sistema internacional — governos, sociedade civil, ONGs, setor privado — a concordarem que algo precisava ser feito coletivamente para neutralizar a transicionalidade negativa da poluição da atmosfera, arrefeceu”, declarou Pfeifer.
“O tema agora é a segurança nacional. Cada país por si, cuidando dos seus interesses e lidando com o cenário internacional a partir dos seus recursos de poder”, acrescentou.
Para Pfeifer, o Brasil tem tido um poder de convocatória para a COP “muito limitado", gerando uma impressão "duvidosa" sobre as propostas do país.
Sobre o fundo Florestas Tropicais para Sempre, principal bandeira do Brasil para a cúpula, o especialista avaliou: "pouca contribuição e pouco comprometimento, até agora - e pouca expectativa de que isso se concretizará."



