
Análise: Divergências travaram principal negociação da COP30
Segundo análise de Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas avança em financiamento e proteção de florestas, mas falha em consenso sobre transição energética
A COP30 encerrou suas atividades com resultados mistos, marcando avanços significativos em algumas áreas, mas deixando pendente uma das principais discussões do evento. O texto final da conferência não incluiu menções ao banimento dos combustíveis fósseis, tema considerado crucial para o combate às mudanças climáticas. A análise é de Pedro Côrtes ao CNN Novo Dia.
"O governo trabalhava com três entregas principais", explica o analista: "O acordo final, a ser celebrado, mas, também foi apresentada a proposta do fundo para a proteção das florestas tropicais e o mapa do caminho que, embora o governo tivesse a intenção de que ele fosse incluído no documento final, sempre entendi como produto a parte".
Entre os pontos positivos, destaca-se o fundo para proteção das florestas tropicais, que alcançou 50% da meta prevista para captação até 2026 logo nos primeiros dias do evento. Além disso, o mapa do caminho, "que indica o que nós deveríamos fazer para eliminar o uso de combustíveis fósseis", obteve adesão de 82 países, representando quase metade das delegações presentes.
Obstáculos nas negociações
A ausência de menções à transição energética no documento final reflete as tensões entre diferentes interesses globais. A necessidade de consenso entre todas as delegações, combinada com a forte pressão dos países produtores de petróleo e grandes consumidores como China e Índia, resultou na omissão de termos como "transição energética", "petróleo" e "gás" do acordo final.
"Realmente, o documento final parece que tomou como um pecado incluir as palavras 'transição energética', 'petróleo', 'gás', 'carvão'. Então, o documento final acabou decepcionando exatamente porque não incluiu essa firme intenção de banir os combustíveis fósseis", afirma Côrtes.
Especialistas como Carlos Nobre alertam que o uso de combustíveis fósseis deveria ser zerado até 2045, com data ideal em 2040. No entanto, as divergências entre as delegações impediram um compromisso mais assertivo nessa direção.
Legado e avanços
Apesar das limitações no texto final, a COP30 trouxe progressos importantes em financiamento climático e estabeleceu novas formas de apoio a iniciativas ambientais. "O fato de trazer as delegações para a Amazônia, permitir que eles conhecessem a Amazônia, a realidade do povo da região, conhecer a floresta, isso foi realmente um grande legado", diz o analista.
A conferência também herdou questões não resolvidas da COP29, especialmente relacionadas ao financiamento climático. Enquanto a edição anterior prometeu destinar 1,3 trilhão de dólares por ano sem especificar as fontes, a COP30 buscou apresentar mecanismos mais concretos de financiamento, ainda que não tenha atingido todos os objetivos propostos.


