Análise: O que explica o recuo dos EUA na guerra contra o Irã

Carlos Frederico Coelho e Lourival Sant'Anna apontam que Donald Trump enfrenta dilema estratégico após bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, com pressões econômicas e políticas para encerrar o conflito

Da CNN Brasil
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Donald Trump continua tentando encontrar uma saída para a crise que ele mesmo criou com o Irã. Fontes iranianas afirmaram à CNN que os Estados Unidos estão procurando o Irã para acabar com a guerra, e que os iranianos estão dispostos a ouvir propostas. Segundo essas fontes, o Irã está pronto para oferecer garantias de que nunca vai desenvolver uma arma nuclear, mas quer poder usar a tecnologia para fins pacíficos, além do fim das sanções.

As falas apontam para uma negociação indireta entre Irã e Estados Unidos, intermediada por países aliados, o que contradiz Trump, que afirma haver negociações diretas e avançadas em andamento. O porta-voz militar do regime iraniano, no entanto, apareceu caçoando de Trump em um vídeo publicado recentemente.

A pressão sobre Trump para aliviar as tensões é cada vez maior por causa dos custos financeiros, políticos e humanos da guerra. As falas mais recentes do presidente americano parecem indicar que ele prepara o terreno para eventualmente declarar vitória e parar os ataques. Mas até aqui não está claro qual seria exatamente a conquista obtida pelos Estados Unidos, já que as demandas do Irã seguem as mesmas desde antes da guerra.

O dilema estratégico de Trump

Durante participação no WW desta quarta-feira (24), Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ, explica que "a única constância de Donald Trump até o momento tem sido a sua inconstância". Ele acrescenta que "essa procura por uma saída honrosa do conflito tem a ver com o declínio contínuo dos seus números e da sua aprovação, e o aumento dos preços ao consumidor nos Estados Unidos".

O especialista aponta que, do ponto de vista militar e estratégico, levar divisões militares para próximo do conflito tende a aumentar a capacidade de barganha, mas as mensagens são díspares: "Em um momento, ele diz que está pronto para fazer o maior ataque, dois dias depois diz que está pronto para discutir a paz".

Na avaliação de Carlos Frederico Coelho, Trump está, de certa forma, derrotado no ponto de vista da comunicação do conflito, mas também em outros fatores. "Do ponto de vista material é certo que o Irã perdeu muito da sua capacidade militar, é certo que o regime sai enfraquecido, porém vivo, não há mudança de regime".

O professor acrescenta que "do ponto de vista da economia e também da segurança regional é difícil de mostrar alguma vitória". "Eu acho que o melhor a fazer nesse momento para Donald Trump é declarar uma vitória ainda que absolutamente limitada, porque a tendência é que as coisas piorem", conclui Carlos.

O Estreito de Ormuz como centro do conflito

Lourival Sant'Anna, analista de Internacional da CNN, enfatiza que "não existe saída para os Estados Unidos". Segundo ele, não é possível garantir a navegação no Estreito de Ormuz sem enviar milhares de soldados para garantir a costa: "É uma região montanhosa, complicadíssima de enfrentar uma guerra de guerrilha para a qual os iranianos estão preparados".

Segundo o analista, "politicamente, não é sustentável um cenário em que você teria dezenas, talvez centenas de soldados americanos morrendo ali para garantir a navegação do Estreito de Ormuz".

Para Lourival Sant'Anna, Trump não pode parar a guerra agora: "Se ele para, é uma derrota clara, porque antes da guerra o Irã não bloqueava o Estreito de Ormuz. É uma perda estratégica brutal para os Estados Unidos". O analista conclui que "Trump realmente se colocou numa situação em que ele se obrigou a sofrer uma humilhação ou pagar um preço político insustentável, que é a morte de muitos soldados americanos".

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