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    Análise: Rússia terá problemas para treinar e equipar novas tropas na Ucrânia

    Governo russo convocou 300 mil reservistas; ação acontece após avanços do exército ucraniano

    Tanques de tropas pró-Rússia em rodovia perto de Mariupol
    Tanques de tropas pró-Rússia em rodovia perto de Mariupol 17/04/2022REUTERS/Alexander Ermochenko

    Brad Lendonda CNN

    Vladimir Putin pode convocar todas as tropas que quiser, mas a Rússia não tem como dar a essas novas equipes o treinamento e as armas que precisam para lutar na Ucrânia rapidamente.

    O presidente russo anunciou na quarta-feira (21) a imediata “mobilização parcial” de cidadãos russos. O ministro da Defesa, Sergei Shoigu, disse que o país convocará 300 mil reservistas.

    Porém, se eles acabarem enfrentando tropas ucranianas nas linhas de frente, provavelmente se tornarão as mais novas baixas da guerra, que dura mais de sete meses e evidenciou falhas em quase todos os aspectos da guerra moderna por parte dos russos.

    “As forças armadas da Rússia não estão atualmente equipadas para implantar rápida e efetivamente 300 mil reservistas”, avaliou Alex Lord, especialista em Europa e Eurásia da empresa de análise estratégica Sibylline em Londres.

    “A Rússia está lutando para equipar efetivamente suas forças profissionais na Ucrânia, após perdas significativas de equipamentos durante a guerra”, complementou.

    A recente ofensiva ucraniana, que reconquistou milhares de metros quadrados de território, teve um preço significativo. O Instituto para o Estudo da Guerra informou no início desta semana que especialistas ocidentais e da inteligência ucraniana descobriram que a Rússia havia perdido de 50% a 90% de sua força em algumas unidades devido a essa ofensiva, assim como equipamentos.

    O site de inteligência de código aberto Oryx, usando apenas evidências fotográficas ou de vídeo, descobriu que as forças russas perderam mais de 6.300 veículos, incluindo 1.168 tanques, desde o início dos combates.

    “Na prática, eles não têm equipamentos modernos suficientes para tantas tropas novas”, observou Jakub Janovsky, analista militar que contribui para o blog Oryx.

    JT Crump, CEO da Sibylline e veterano de 20 anos nas forças armadas britânicas, pontuou que a Rússia está começando a sofrer escassez de munição em alguns calibres e está procurando fontes de componentes-chave para que possa reparar ou construir substitutos para armas perdidas no campo de batalha.

    Não são apenas tanques e veículos blindados que foram destruídos. Em muitos casos, as tropas russas não tiveram o básico na Ucrânia, incluindo explicações claras de o porquê estarem arriscando suas vidas.

    Pessoas visitam tanques russos destruídos por forças ucranianas, em Kiev / 21/08/2022 REUTERS / Valentyn Ogirenko

    Apesar da ordem de mobilização de quarta-feira, Putin ainda está usando a classificação “operação militar especial”, não de guerra.

    Os soldados ucranianos sabem que estão lutando por sua pátria. Muitas das forças ruassas não sabem por que estão na Ucrânia.

    O ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Gabrielius Landsbergis, ressaltou isso também na quarta-feira, chamando o anúncio de mobilização parcial de “um sinal de desespero”.

    “Acho que as pessoas definitivamente não querem ir para uma guerra que não entendem. Elas seriam levadas para a prisão se chamassem o conflito de guerra, e agora, de repente, têm que entrar e lutar despreparados, sem armas, sem armaduras, sem capacetes”, destacou.

    Mas mesmo que eles tivessem todo o equipamento, armas e motivação de que precisam, seria impossível obter 300 mil soldados treinados rapidamente para a batalha, disseram especialistas.

    “Nem os oficiais extras nem as instalações necessárias para uma mobilização em massa existem agora na Rússia”, afirmou Trent Telenko, ex-auditor de controle de qualidade da Agência de Gerenciamento de Contratos de Defesa dos EUA, que estudou a logística russa.

    As reformas em 2008, destinadas a modernizar e profissionalizar as forças armadas russas, removeram muitas das estruturas logísticas e de comando e controle que antes permitiam às forças da antiga União Soviética treinar e equipar rapidamente um grande número de recrutas mobilizados.

    Lord advertiu que levaria pelo menos três meses para reunir, treinar e enviar reservistas russos ao campo de batalha.

    “Quando isso acontecer, estaremos nas profundezas de um inverno ucraniano. Como tal, é improvável que vejamos um influxo de reservistas ter um impacto sério no campo de batalha até a primavera de 2023 – e mesmo assim eles provavelmente serão mal treinados e mal equipados”, destacou.

    Mark Hertling, ex-general do Exército dos EUA e analista da CNN, disse ter visto durante as visitas ao país em primeira mão como o treinamento russo pode ser ruim.

    “Foi horrível. Primeiros socorros rudimentares, poucas simulações para conservar recursos e, o mais importante, liderança horrível”, escreveu Hertling no Twitter.

    “Colocar ‘novatos’ em uma linha de frente que foi atacada, tem moral baixa e que não quer estar [lá] pressagia mais desastre.

    Telenko disse que as tropas recém-mobilizadas provavelmente se tornariam apenas mais baixas na guerra de Putin.

    “A Rússia pode chamar pessoas. Não pode treinar, equipar e, o mais importante, liderá-las rapidamente. Ondas não treinadas de 20 a 50 homens com rifles de assalto AK e nenhum rádio vão desmoronar no primeiro ataque de artilharia ou blindado ucraniano”, alertou.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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