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    Após abandonar política de Covid zero, China registra 60 mil mortes pela doença em um mês

    O número foi divulgado pelo governo neste sábado; nessa semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acusou o país de estar subnotificando os óbitos relacionados à Covid-19

    Passageiros usando máscaras puxam bagagem em um saguão de embarque no Aeroporto Internacional Capital de Pequim em 27 de dezembro de 2022, depois que o governo central abandonou recentemente sua política de "covid zero".
    Passageiros usando máscaras puxam bagagem em um saguão de embarque no Aeroporto Internacional Capital de Pequim em 27 de dezembro de 2022, depois que o governo central abandonou recentemente sua política de "covid zero". Kydpl Kyodo/AP

    Da Reuters

    A China divulgou, neste sábado (14), que quase 60 mil pessoas morreram por conta da Covid-19 em hospitais desde que o país abandonou sua política de Covid zero no mês passado, um grande aumento em relação aos números relatados anteriormente.

    A informação foi divulgada após críticas internacionais aos dados sobre coronavírus do país.

    No início de dezembro, após protestos generalizados no final de novembro, Pequim abandonou o rigoroso regime Covid zero após três anos de testes frequentes, restrições de viagens e bloqueios em massa. Os casos aumentaram desde então em todo o país de 1,4 bilhão de pessoas.

    Um oficial de saúde disse, neste sábado, que as hospitalizações de emergência pela Covid já atingiram o pico e o número de pacientes hospitalizados seguia diminuindo.

    Entre 8 de dezembro e 12 de janeiro, o número de mortes relacionadas à Covid-19 em hospitais chineses totalizou 59.938, disse Jiao Yahui, chefe do Escritório de Administração Médica da Comissão Nacional de Saúde, em uma coletiva de imprensa.

    Dessas mortes, 5.503 foram causadas por insuficiência respiratória devido à Covid e o restante resultou de uma combinação de Covid-19 e outras doenças, disse ela.

    A China havia registrado pouco mais de 5.000 mortes desde o início da pandemia, uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo.

    As autoridades relataram menos de cinco mortes por dia no mês passado – números inconsistentes com as longas filas vistas em funerárias e com a quantidade de sacos de cadáveres saindo de hospitais lotados.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse esta semana que a China estava subnotificando as mortes por Covid-19, mesmo que o país esteja divulgando mais informações sobre o surto.

    A China, que divulgou os números diários de mortes por Covid pela última vez na segunda-feira, defendeu repetidamente a veracidade de seus dados.

    Neste sábado, Jiao disse que a China divide as mortes relacionadas à Covid-19 entre as causadas por insuficiência respiratória devido à infecção e as causadas pela combinação de outras doenças com a infecção por coronavírus.

    “O padrão está basicamente alinhado com os adotados pela Organização Mundial da Saúde e outros grandes países”, disse ela.

    No mês passado, em uma coletiva de imprensa, o governo disse que apenas mortes causadas por pneumonia e insuficiência respiratória após contrair Covid seriam classificadas como mortes por Covid-19. Ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares que causam a morte de pessoas infectadas não receberiam essa classificação.

    “Tendência de queda”

    Jiao disse que o número de pacientes que precisam de tratamento de emergência e a proporção de pacientes que testam positivo para Covid-19 estão diminuindo constantemente. O número de casos graves também atingiu o pico, acrescentou ela, embora permaneça em um nível alto e os pacientes sejam em sua maioria idosos.

    As autoridades disseram que a China aumentará o fornecimento de medicamentos e equipamentos médicos nas áreas rurais e fortalecerá o treinamento da equipe médica da linha de frente nessas regiões.

    “O número de visitantes de clínicas de febre geralmente está em tendência de declínio após o pico, tanto nas cidades quanto nas áreas rurais”, disse Jiao.

    Um aumento acentuado nas viagens antes do feriado do Ano Novo Lunar, quando centenas de milhões voltam para casa das cidades para áreas rurais, alimentou a preocupação de que isso trará um aumento de casos durante uma celebração que começa em 21 de janeiro.

    Esta semana, a OMS alertou para os riscos decorrentes das viagens de férias. A China reabriu suas fronteiras em 8 de janeiro.

    Apesar das preocupações com infecções, o volume de passageiros aéreos na China subiu para 63% dos níveis de 2019 desde que a temporada anual de viagens começou em 7 de janeiro, disse o regulador do setor.

    A rápida recuperação dos negócios está desafiando a capacidade das companhias aéreas de garantir a segurança, e é necessária muita atenção aos riscos relacionados à pandemia, disse Song Zhiyong, chefe da Administração de Aviação Civil da China.

    A indústria precisa “entender completamente a natureza especial e a complexidade da migração para o Festival da Primavera em 2023”, disse Song em comunicado na sexta-feira.

    O Ministério dos Transportes previu que os volumes de tráfego de passageiros saltariam 99,5% no ano durante a migração do festival, que vai até 15 de fevereiro, ou uma recuperação para 70,3% dos níveis de 2019.

    No centro chinês de jogos de azar de Macau, os 46.000 viajantes diários de sexta-feira foram o número mais alto desde o início da pandemia, a maioria do continente, disse o governo da cidade. Ele espera um boom no turismo.