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    Argentina: cotado para pasta da Economia explica planos de “choque” de Milei

    Ex-presidente do Banco Central da Argentina defende ajuste brusco na economia para conter a inflação de mais de 140% no acumulado anual

    Ex-presidente do banco central da Argentina Luis Caputo22/07/2018
    Ex-presidente do banco central da Argentina Luis Caputo22/07/2018 REUTERS/Marcos Brindicci

    Jorgelina do RosarioJorge Otaolada Reuters

    Buenos Aires

    O ex-presidente do banco central da Argentina Luis Caputo, cotado para ser o novo ministro da Economia do país, reuniu-se nesta sexta-feira (24) com executivos de bancos locais e internacionais para apresentar os planos econômicos do presidente eleito, Javier Milei, segundo três fontes e uma associação bancária.

    A reunião no centro de conferências La Rural, em Buenos Aires, foi realizada no momento em que Milei, que prometeu uma “terapia de choque” para a economia em dificuldades, trabalha para montar sua equipe econômica.

    Caputo tem sido apontado como o favorito para o cargo. No entanto, durante a reunião, Caputo se recusou a confirmar que será o novo ministro da Economia, disseram duas das fontes.

    Até o momento, os sinais de que Javier Milei está se inclinando para uma equipe econômica e política mais ortodoxas impulsionaram os mercados nesta semana, com os títulos subindo quase 14% e as ações registrando alta de mais de 40% desde que ele venceu o segundo turno das eleições no último domingo.

    Caputo enfatizou a ideia de um ajuste econômico brusco, necessário para conter a inflação próxima a 150%, evitar uma recessão iminente, desfazer uma série de controles de capital e reconstruir as reservas líquidas, que estão negativas em torno de 10 bilhões de dólares.

    “Nossa abordagem é um choque fiscal e monetário desde o primeiro dia, o roteiro é ortodoxo e sem loucuras”, disse Caputo aos representantes dos bancos, de acordo com uma fonte que participou da reunião.

    Caputo não deu detalhes sobre como o governo de Milei planeja lidar com os gastos públicos ou o que pretende fazer com a enorme quantidade de títulos de curto prazo do banco central, chamados de “Leliq”, que Milei tem como alvo porque expandem a oferta monetária de pesos.

    O ex-presidente do Banco Central da Argentina disse, ainda, que o governo de Milei suspenderia os controles cambiais rapidamente, de acordo com duas das fontes, mas que isso não aconteceria imediatamente. Ele acrescentou que nenhuma dolarização no curto prazo está planejada, pois era necessária a estabilização fiscal e monetária, disse a primeira fonte.

    A associação bancária local Adeba também confirmou o encontro.

    “Foi uma reunião em que trocamos opiniões sobre os desafios da economia e como enfrentá-los”, disse Javier Bolzico, presidente da associação, à Reuters.

    “A reunião foi muito positiva, Caputo enfatizou o equilíbrio fiscal como base do modelo e uma abordagem abrangente e baseada no mercado para os passivos remunerados do banco central. A visão de Caputo nos deu paz de espírito e confiança.”

    Durante a campanha presidencial, Milei enfatizou seu plano de fechar o banco central e dolarizar a economia, mas admitiu que isso levaria tempo devido à crise econômica.

    Mais cedo, nesta sexta-feira, ele disse que o fechamento do banco central era “inegociável”.