Articulamos consenso multilateral na COP26, diz ministro do Meio Ambiente

Ministro Joaquim Leite está em Glasgow, na Escócia, e afirmou que o Brasil fez 24 reuniões ao longo da conferência

Rafaela Larada CNN

em São Paulo

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O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, afirmou nesta sexta-feira (12) durante a COP26, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Glasgow, na Escócia, que o Brasil articulou consenso multilateral durante a conferência. Ele falou durante coletiva de imprensa no evento, que deve se encerrar entre hoje e amanhã.

“Foi um trabalho árduo e 24 reuniões importantíssimas [durante a COP] com vários países. Acabamos de ter uma reunião muito importante hoje. Ainda faltam alguns passos a serem dados por alguns países. O papel do Brasil foi de articulador, buscando consenso multilateral em temas importantes como financiamento do clima, que deveria vir na mesma proporção de redução de emissões”, disse o ministro.

Para o ministro, os recursos para financiamento devem acompanhar “na mesma proporção” as ações pela redução de emissões. “A mitigação é super importante, mas tem de estar atrelada a financiamentos robustos para garantir transição responsável e justa para todos”, disse.

‘Entraves’ sobre texto final da COP26

Ao analisar os acordos firmados durante a COP26, Leite afirmou que ainda há “entraves” em torno do relatório final da conferência, que deve apresentar as propostas finais das nações participantes da COP26.

“Espero que nas próximas horas a gente consiga chegar nesse consenso, apesar de haver alguns entraves com relação ao texto, em relação a um ou dois países que ainda estão desenhando esse texto final. É um desafio que continua nas próximas horas (…) Espero que a gente consiga dar mais um passo.”

Uma versão do rascunho do acordo COP26 foi publicada na manhã desta sexta-feira (12). O texto, que ainda pode ser alterado, mantém uma referência sem precedentes aos combustíveis fósseis, apesar de uma ampla campanha dos principais produtores de carvão, petróleo e gás para sua remoção completa.

Nesta tarde, o ministro do Meio Ambiente fez um balanço da participação do Brasil na COP26. Ele afirmou que a pasta e o Ministério das Relações Exteriores tem trabalhado com “espírito construtivo” na conferência para chegar a um objetivo comum “para garantir recursos para uma transição justa, que é um objetivo de todos nós”.

Mercado de carbono global

Leite, que não adiantou o que foi alinhado nas reuniões fechadas da COP26, afirmou que “se tudo der certo, a gente consegue uma negociação ainda hoje”. “Seria um sucesso para o Brasil conseguir pressionar os países ricos e desenvolvidos a mais recursos, especialmente no mercado de carbono, que talvez a gente consiga chegar neste acordo”, disse.

No entanto, o ministro diz estar “otimista” com relação ao texto final sobre o mercado de carbono.

“Estou otimista, mas não tenho a garantia de que o mercado de carbono será fechado. Estamos bastante otimistas porque tivemos um papel importantíssimo nessa conferencia mexendo e articulando com outros países, mexemos e destravamos vários pontos. Temos um proposta na mesa, quase fechada, mas falta o consenso de todos”, disse.

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante coletiva de imprensa na COP26, em Glasgow, na Escócia
Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante coletiva de imprensa na COP26, em Glasgow, na Escócia, nesta sexta-feira (12) / Foto: Flickr/Ministério do Meio Ambiente

Fundo de US$ 100 bilhões

Leite ainda avaliou a questão do fundo de US$ 100 bilhões que ajudaria na implementação de tecnologias que reduzissem a emissão de carbono na atmosfera para países pobres e nações em desenvolvimento.

Para o ministro, esse fundo não será fechado na COP26 – ele afirmou que o Brasil “tem preocupação que esse chegue aos US$ 100 bilhões, e não vai chegar”.

“O grande desafio desses US$ 100 bilhões é um volume maior e de mais eficiência no seu uso, que garanta a eficiência no seu uso (…) Os países em desenvolvimento pediram mais ambição, mas não tiveram a mesma proporção de recurso. Esse é um desafio que ainda temos pela frente. Nós não vamos chegar agora em US$ 100 bilhões.”

Sobre o Fundo Amazônia, Leite afirmou que o assunto ainda está com o vice-presidente Hamilton Mourão – as negociações do fundo também não estão em andamento. Esse fundo é formado por doações bilionárias da Noruega e da Alemanha e, em outubro, tinha 40 projetos paralisados, que somavam mais de R$ 1 bilhão.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta apontam que a área de alertas de desmatamento na Amazônia em outubro é a maior para o mês em cinco anos. Leite informou que quando retornar ao Brasil tomará conhecimento destes número, mas que o momento na COP26 para discussões globais.

“O desmatamento é um desafio brasileiro e um desafio global. Nesse momento, não falamos de desafio de cada pais, mas de redução de emissões globais. Estamos mostrando um Brasil real em varias atividades. Assim que voltar para Brasília falarei com ministro da Justiça para entender um pouco esses números. Não acompanhei, mas soube que eles saíram hoje”.

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