Ataque dos EUA pode escalar conflito para guerra total, diz especialista
Professor do Ibmec Alexandre Pires alerta que resposta americana prometida contra o Irã pode resultar em colapso da infraestrutura civil iraniana e desencadear uma escalada regional
O ataque prometido pelos Estados Unidos contra o Irã pode elevar o conflito no Oriente Médio a um novo patamar de violência, transformando-o em uma guerra total com consequências devastadoras para toda a região. A avaliação é do Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais do Ibmec, que analisou o cenário de tensão crescente entre os dois países.
Segundo Pires, os Estados Unidos e Israel têm mantido até agora o que especialistas chamam de "guerra convencional", evitando atingir a infraestrutura civil iraniana para não colapsar a economia e o Estado. No entanto, a situação pode mudar drasticamente com as recentes ameaças do presidente americano, que estabeleceu um prazo para possíveis ataques contra usinas de energia e outras instalações estratégicas no Irã.
"A escalada por parte dos Estados Unidos, que têm contido muito as investidas de Israel, vai abrir um caminho novo para o conflito e muito mais sangrento", alertou o especialista.
Ele explicou que os alvos militares iranianos já foram praticamente esgotados, com cerca de 13 mil alvos atingidos e outros 3 mil durante a semana, sem que o regime tenha capitulado.
Capacidade de retaliação e risco de apagão regional
O professor destacou que o Irã possui uma capacidade de retaliação "inegável" e tem prometido resistir a qualquer ataque. Uma das ameaças feitas pelo país é de que, caso suas usinas de energia sejam atacadas, um apagão total poderia atingir o Oriente Médio, afetando principalmente os países da Península Arábica, como Arábia Saudita e Emirados Árabes.
"Você praticamente acaba com a energia iraniana com 20 bombardeios dessa natureza", explicou Pires, referindo-se às usinas termoelétricas e outras instalações energéticas que podem ser alvos dos EUA.
O especialista comparou a situação atual com outros conflitos onde houve colapso da infraestrutura civil, como ocorreu no Iraque e no Afeganistão. "Quando a guerra atinge um setor econômico, alvos civis, o recuo civilizacional é inegável", afirmou.
A região já enfrenta significativas mudanças em função do conflito, com destinos turísticos e rotas de aviação colapsados em países como Bahrein e Catar. Pires alertou que se os países árabes forem atingidos com maior ímpeto em retaliação iraniana, é provável que tenham que se engajar na parte ofensiva do conflito, resultando em uma guerra regional "de dimensões nunca vistas ali".


