Austríacos olham com desconfiança para a vacina, diz brasileira que mora em Viena

País europeu lida com nova onda da pandemia de Covid-19; governo endureceu as regras e aplicou lockdown para não-vacinados

Juliana Alvesda CNN

em São Paulo

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governo austríaco decretou lockdown para pessoas não vacinadas contra o coronavírus a partir da segunda-feira (15). Com a aproximação do inverno e o aumento das infecções na Europa, o país vive uma nova onda de casos. De acordo com a procuradora do estado de São Paulo aposentada, Marcia Elisabeth Leite, que mora em Viena, o governo atribui a piora da pandemia ao fato de uma parte dos austríacos se recusar a tomar a vacina.

“A Áustria teve um índice muito baixo de vacinação, 67% da população está vacinada em Viena e o governo atribuiu este fato ao aumento dos casos de coronavírus, aliado ao pós-férias”.

O mesmo acréscimo de contaminação pelo vírus foi registrado em 2020 neste período subsequente a agosto e setembro. Porém, diferente do ano passado, de acordo com a moradora, o governo austríaco não quis implementar um lockdown geral para não prejudicar a economia. No entanto, aos poucos, as autoridades viram o cenário da Covid-19 se reverter e, com isso, foi preciso rever as flexibilizações.

À CNN, Marcia explica como ocorre a resistência à vacina no país. Segundo ela, mesmo com as comprovações científicas de que o imunizante é seguro, alguns insistem na negação e temem as reações adversas.

“Nós percebemos aqui é que a população olha com desconfiança para a vacina. E não, talvez, como os brasileiros. Eu tenho a minha família no Brasil e a vacina para o brasileiro veio como uma bênção, como um alívio: ‘Vacina, Graças a Deus’. E aqui, não. Aqui é assim: ‘Vacina? Será que funciona? Vou esperar para ver’.

Ela também observa como as novas restrições estão fazendo com que as pessoas se desloquem aos postos para serem, enfim, imunizadas.

“Só os testados e vacinados estão autorizados a trabalharem, estudarem e terem a vida social normal. As pessoas que não forem testadas negativamente e não forem vacinadas só estão autorizadas a ir a supermercados, médicos e farmácias. Fora isso, elas não estão autorizadas a fazer mais nada.”

Na última segunda-feira (15), dia do decreto, a aposentada relata como aconteceu uma intensa fiscalização na capital.

“Cinco mil estabelecimentos foram fiscalizados por policiais e foram aplicadas 400 advertências com a multa de até 5 mil euros. As pessoas não-vacinadas, ou que não tinham teste PCR negativo para apresentar, foram convidadas a se retirar do restaurante”, conta Marcia.

A procuradora aposentada afirma que o governo agiu de modo a não violar o direito individual das pessoas, ou seja não abriga das pessoas a se vacinarem, mas com o seu poder de polícia, ele implementou um regramento social. “Ele disciplinou como devem ser regidos os estabelecimentos comerciais. Ele não pode agredir a liberdade individual, mas pode disciplinar a sociedade. E foi isso que o governo fez. Ele estabeleceu regras de conduta para os comerciantes e para as escolas e outros estabelecimentos, em prol da saúde pública. Então ninguém pode dizer que está tendo um direito individual violado.”

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