Brasil espera encontro Lula-Trump como quebra-gelo
Apuração de Isabel Mega, no CNN Novo Dia, indica que reunião na Malásia é vista como "quebra-gelo" para melhorar relação bilateral. Expectativas são moderadas, mas há otimismo quanto a futuros acordos comerciais
O encontro previsto entre Lula e Donald Trump na Malásia é considerado um passo estratégico para amenizar as tensões nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A reunião, programada para este fim de semana, é vista como um "quebra-gelo" diplomático, sem expectativas de acordos imediatos. Apuração é de Isabel Mega no CNN Novo Dia.
Lula indicou que, embora existam possibilidades de acordos com os Estados Unidos, estes não devem ser concretizados neste primeiro encontro. A postura demonstra uma abordagem cautelosa da diplomacia brasileira, que busca evitar criar expectativas exageradas sobre os resultados imediatos da conversa.
Pautas sensíveis em discussão
"O fato de o presidente Lula dizer que não terá nenhum assunto vetado, que eles podem conversar sobre tudo, dá margem para alguns assuntos que não são interessantes para o Brasil ter em pauta", explica a analista de Política da CNN. "Dois exemplos são a questão da Venezuela e a criação de uma moeda local que seria uma alternativa às relações comerciais baseadas no dólar".
Além disso, as recentes declarações de Trump sobre tarifas sobre a carne brasileira também podem entrar em pauta: "Ele está tentando fazer um discurso para o seu mercado interno diante de uma situação em que os produtores dos EUA estão bem incomodados com o presidente norte-americano", destaca Mega.
De acordo com avaliações, os discursos recentes dos dois presidentes funcionam como equivalentes. "Porque ambos estão jogando para os seus cenários domésticos. A avaliação é de que quando os dois estiverem frente a frente isto não tenha tanta influência", diz a analista. "Também há uma expectativa de que o presidente Lula consiga produzir um certo encantamento em relação a Donald Trump".
Do lado brasileiro, é esperado conseguir amenizar as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Outros temas relevantes incluem discussões sobre minerais críticos, área que já vem sendo trabalhada por diferentes setores do governo brasileiro, especialmente considerando o contexto das relações entre Estados Unidos e China.
Fontes diplomáticas avaliam que a relação entre os dois países já apresentou evolução significativa desde julho, quando houve o anúncio de novas tarifas. A expectativa é que este encontro possa servir como catalisador para futuras reuniões técnicas, permitindo o avanço em pautas de interesse mútuo.


