Casa Branca promete resgatar intérprete afegão que ajudou Biden em 2008
Em entrevista ao Wall Street Journal, Mohammed – que usa apenas seu primeiro nome – pediu que presidente dos EUA ajude ele, a esposa e os filhos a deixarem o Afeganistão

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, elogiou na terça-feira (31) o intérprete afegão, atualmente escondido, que ajudou a resgatar o então senador Joe Biden durante uma missão em 2008 no Afeganistão e reafirmou o compromisso dos Estados Unidos em ajudar seus aliados no país.
"Nossa mensagem para ele é: obrigado por lutar ao nosso lado nos últimos 20 anos. Obrigado pelo papel que desempenhou em ajudar várias das minhas pessoas favoritas a sair de uma tempestade de neve e por todo o trabalho que você fez. E nosso compromisso é duradouro, não apenas para os cidadãos norte-americanos, mas também para nossos parceiros afegãos que lutaram ao nosso lado", disse Psaki.
"Nossos esforços e nosso foco agora são, como você ouviu o general McKenzie [chefe do do Comando Central dos EUA] e outros dizerem nas últimas 24 horas, para a fase diplomática. Vamos tirar você daí. Vamos honrar o seu serviço. Estamos empenhados em fazer exatamente isso."
O intérprete, que usa apenas seu primeiro nome, Mohammed, disse ao Wall Street Journal que está pedindo ao presidente que salve ele e sua família depois que as forças dos EUA permitiram sua entrada no aeroporto de Cabul durante a missão de retirada do Afeganistão, mas restringiram o acesso de sua esposa e filhos.
O WSJ noticiou na terça-feira que Mohammed ajudou a resgatar Biden em 2008 quando seu helicóptero – que também transportava os então senadores Chuck Hagel, de Nebraska, e John Kerry, de Massachusetts – foi forçado a fazer um pouso de emergência nas montanhas do Afeganistão por causa de uma tempestade de neve.
O jornal informou que Mohammed teve seu visto especial de imigrante preso no processamento. O programa pretende fornecer um caminho para os EUA para os afegãos que foram empregados ou trabalharam em nome do governo norte-americano, mas muitos tiveram problemas no processo do programa em meio à corrida frenética dos norte-americanos para deixar o país.
"Não posso sair de casa", disse ele ao WJS. "Estou muito assustado."
Embora o Talibã tenha dito que não faria mal àqueles que trabalharam com forças estrangeiras, houve relatos de ataques de vingança.
Quase todas as nações envolvidas nos esforços de saída do Afeganistão – Canadá, Austrália, Nova Zelândia, França, Espanha, Itália, entre outros – encerraram suas operações e se retiraram do país.
Os últimos aviões militares dos EUA deixaram Cabul na segunda-feira (30), marcando a retirada total das forças norte-americanas.
Ainda assim, quando questionado sobre o compromisso do governo Biden em ajudar os aliados afegãos, Mohammed disse a Anderson Cooper da CNN na noite de terça-feira: "Eu confio nele".
"Espero que ele possa fazer tudo. Ele é o presidente dos Estados Unidos. É um homem educado", completou, sobre Biden.
(Texto traduzido; leia o original em inglês)


