Caverna no Laos: correspondente da CNN descreve emoção de resgate
Dois moradores ainda estão presos na caverna inundada no Laos; CNN foi a única emissora a acompanhar a saída de quatro deles
Famintos, enfraquecidos e cercados pela escuridão úmida, cinco moradores de um vilarejo no Laos permaneceram presos por 11 dias no interior de uma caverna inundada. A equipe da CNN foi a única da imprensa internacional a acompanhar a saída de quatro dos cinco moradores resgatados com vida da caverna.
O correspondente Will Ripley descreveu a emoção do momento. Ripley conta que não esperava pelo sucesso da operação que resultou no resgate desses quatro moradores e que a própria equipe de resgate descrevia como um "milagre" que eles tenham conseguido sair da caverna com vida.
"Fico arrepiado ao pensar nisso. A chuva parou por tempo suficiente, as bombas funcionaram bem o suficiente e os homens dentro da caverna foram corajosos o suficiente para tentar. E eles conseguiram. Engatinharam e escalaram até a saída", relatou.
Ripley afirma que todos, inclusive ele, ficaram chocados com o sucesso do resgate.
O correspondente descreveu a operação como um feito de engenharia, tecnologia e força de vontade, envolvendo pessoas do Laos, da Tailândia e de diversas partes do mundo.
"Viajamos um longo caminho, muitas horas para chegar aqui. Sinto que foi uma bênção e um privilégio testemunhar esse milagre aqui no Laos", concluiu.
Em entrevista à CNN, Mee Singfamalai, um barbeiro de 23 anos que foi um dos quatro resgatados neste fim de semana, relatou que a coragem deles surgiu do próprio medo: “Eu sempre acreditei que sobreviveria. Eu precisava voltar para ver minhas irmãs e minha mãe”, disse Mee.
Mais de 10 dias do desaparecimento
O grupo de sete pessoas havia entrado na caverna em busca de ouro no dia 20 de maio, quando chuvas intensas inundaram toda a área ao redor, bloqueando a saída com uma parede d'água. Desde então, passaram-se 13 dias do desaparecimento dessas pessoas.
Cinco pessoas já foram resgatadas, quatro delas durante o último fim de semana, mas outras duas permanecem desaparecidas no interior da caverna.
Durante a madrugada (no horário de Brasília) desta segunda-feira (1º), equipes de resgate investigavam batidas ouvidas vindas do interior da caverna, registradas pelo menos duas vezes.
Esses sons podiam indicar que as duas pessoas ainda desaparecidas estariam vivas. No entanto, os socorristas alertam que é muito cedo para ter certeza sobre a origem dos sons.
Para facilitar o acesso ao local, bombas continuavam operando para drenar a água das galerias subterrâneas. Um novo acesso também foi descoberto: um poço vertical e bastante estreito, com cerca de 100 metros de comprimento, que oferecia uma entrada mais segura até o ponto onde as pessoas poderiam estar.
Apesar disso, novas chuvas nos últimos dias agravaram as inundações na área, tornando ainda mais complexo o trabalho das equipes.


