Cerco a Kiev pode ter sido "medida diversionista" de tropas russas, diz professor

À CNN Rádio, Bernardo Wahl avaliou que é difícil de se ter certeza sobre os objetivos militares da Rússia na condução da guerra

Amanda Garcia, com produção de Bel Campos, da CNN
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Em entrevista à CNN Rádio, o professor de relações internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Bernardo Wahl de Araújo, afirmou que é difícil ter certeza a respeito dos objetivos militares da Rússia ao conduzir a guerra, já que há "informações diversas" que chegam de todos os lados, assim como a "guerra de narrativas".

Ele explicou que o conflito começou com múltiplas frentes: "uma delas rumava à capital Kiev, o que nos levou a pensar que a Rússia queria tomar a cidade para derrubar o governo." "Porém, conquistar uma cidade é um desafio militar complexo, porque envolve guerra urbana", completou o professor.

Na avaliação do especialista, essa frente que cercava Kiev – e que foi retirada da região – "pode ter sido uma medida diversionista, para confundir o adversário aos reais objetivos."

Outra possibilidade também considerada é de que "de repente, os russos se deram conta de que a resistência ucraniana é desafiadora e, então, recalcularam os objetivos."

Para Bernardo Wahl, o abandono da linha de ação é um fato novo e as acusações de um massacre nessa retirada, como na cidade de Bucha, embora ainda dependam de verificação independente, "mostraram até onde as tropas russas estão dispostas a fazer para limar o moral ucraniano."