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    China mantém neutralidade “mais favorável à Rússia”, diz professor da USP

    Em entrevista à CNN, Felipe Loureiro afirmou que discurso chinês ainda não foi claro em condenar invasão russa da Ucrânia

    Juliana AlvesRenata Souzada CNN

    em São Paulo

    Apesar de o comunicado oficial chinês referente à conversa entre Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sugerir que o país oriental não é a favor dos confrontos na Ucrânia, o professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) Felipe Loureiro, em entrevista à CNN neste sábado (19), avalia que a posição da China ainda é de maior proximidade à Rússia.

    “Na fala de muitas autoridades chinesas não há uma condenação direta às ações russas. Não há o uso do termo “invasão”. A China ainda se mantém em uma neutralidade que eu caracterizaria que é mais favorável à Rússia do que propriamente uma posição neutra”, disse.

    Após a conversa por videoconferência na sexta-feira, Xi divulgou um comunicado oficial dizendo que “a paz e a segurança são os tesouros mais valorizados da comunidade internacional”. Ainda segundo ele, “relações entre estados não podem chegar no estágio do confronto militar.”

    Negociações

    Depois de quatro rodadas de negociações – cinco, se considerarmos que a última foi dividida em dois dias – Rússia e Ucrânia não fizeram progressos substanciais, além do estabelecimento de corredores humanitários.

    Na última sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu por negociações significativas de paz e segurança com Moscou.

    “O que a gente percebe, principalmente por meio dos discursos das altas autoridades russas, principalmente o presidente Putin, é que as demandas russas continuam bastante maximalistas. Ou seja, a Rússia, na verdade, parece que não está negociando com a Ucrânia, mas quer, fundamentalmente, a capitulação do país”, avaliou Loureiro.

    Do lado ocidental, o presidente dos EUA, Joe Biden, deve viajar à Europa na próxima semana para uma cúpula extraordinária da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no dia 24.

    “A ida do presidente Biden à Europa é muito significativa, ela é muito simbólica, ou seja, mostra um interesse norte-americano em fortalecer, não apenas a unidade da Otan, a unidade, digamos assim, dos aliados europeus, mas a gente tem que reconhecer que as sanções aplicadas até agora foram muito significativas”, afirmou o especialista.

    Do lado ucraniano, a análise de Loureiro é de que “é legítimo que o presidente Zelensky esteja tentando de tudo para construir um cessar-fogo e, quem sabe, uma paz com a Rússia, tendo em vista a destruição material, humana, crise de refugiados que esse conflito, que essa guerra, está ocasionando”.

    China x Estados Unidos

    A conversa entre a China e os Estados Unidos também levantam questões sobre a situação de Taiwan, em uma eventual invasão chinesa. “Os Estados Unidos nunca afirmaram, efetivamente, que ficariam de fora de, por exemplo, uma intervenção caso a China tentasse incorporar Taiwan, anexar Taiwan, por meios militares.”

    Frente ao cenário atual, Loureiro afirma que “é possível que esta crise da Ucrânia, e a gente espera que assim seja, evolua para um contato mais próximo entre China e Estados Unidos para que esse tema de Taiwan não vire uma instabilidade para o sistema internacional em um futuro próximo”