Conselho de Paz pode ser mecanismo de Trump para apagar ONU, diz professora
Professora de Relações Internacionais aponta que proposta do presidente eleito dos EUA, que inclui investimento de US$ 1 bilhão, pode ser mecanismo de controle para desmantelar ordem multilateral
A proposta de Donald Trump para a criação de um Conselho de Paz pode representar mais uma tentativa de enfraquecer organizações internacionais, especialmente a ONU (Organização das Nações Unidas), segundo avaliação da professora Carolina Pavese, especialista em Relações Internacionais do Instituto Mauá, em entrevista ao WW.
"É importante olhar com muita cautela qualquer proposta que o Trump faça, justamente porque há uma estratégia clara e uma política muito orientada para minar acordos de cooperação", afirmou Pavese.
A especialista chamou atenção para o fato de Trump já ter demonstrado resistência à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança mais fidedigna dos EUA desde 1949.
Investimento bilionário e controle estratégico
Um ponto que levanta suspeitas na proposta é o anúncio de uma contribuição financeira de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,7 bilhões) para o projeto. Segundo Pavese, este investimento poderia ser parte de uma estratégia maior para assumir controle sobre mecanismos internacionais de paz.
"Isso pode ser mais um mecanismo de controle de Trump para tentar apagar a ONU e desmantelar essa ordem multilateral vigente, as organizações e instituições que ainda são sólidas", explicou a professora, ressaltando que, embora essas instituições estejam enfrentando uma crise de credibilidade e de ação, ainda representam importantes pilares da ordem global.
Para a especialista, a proposta pode configurar uma "armadilha" no cenário internacional, especialmente para líderes que defendem o multilateralismo, como é o caso do Brasil. "É importante ter cuidado", concluiu.


