Da cama do hospital, Jacob Blake participa de audiência por videoconferência

Ele é acusado de agredir sexualmente uma mulher; caso é anterior e não tem relação com o episódio de 23 de agosto, em que Blake foi baleado nas costa

Jacob Blake, baleado nas costas por policiais no Wisconsin, participa de audiência por meio de videoconferência
Jacob Blake, baleado nas costas por policiais no Wisconsin, participa de audiência por meio de videoconferência Foto: Kenosha County Court/ Youtube

Melissa Alonso, Casey Tolan e Brad Parks, da CNN

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Usando uma camisa social azul e uma gravata amarela, Jacob Blake, paralisado após ser baleado nas costas por um policial de Kenosha, no estado norte-americano de Wisconsin, participou da sua primeira audiência na sexta-feira (3) a partir do hospital onde está internado.

Foi a primeira aparição pública de Blake desde que foi ferido, em 23 de agosto. Ele é acusado de um crime – agressão sexual de terceiro grau – e duas contravenções – invasão criminosa e conduta desordeira.

Ele falou brevemente com o juiz quando questionado se entendia as acusações. Quando perguntado se tinha alguma dúvida, Blake respondeu: “No momento, não, não tenho.” Seu advogado, Patrick Cafferty, alegou inocência de todas as três acusações.

De acordo com a denúncia criminal obtida pela CNN, Blake entrou ilegalmente em uma casa em 3 de maio e agrediu sexualmente uma mulher em seu quarto antes de sair com seu veículo. 

A mulher disse à polícia que Blake a agrediu fisicamente várias vezes nos últimos oito anos, de acordo com a queixa, que foi registrada em julho. No entanto, ela dispensou a opção de obter uma ordem de restrição temporária contra ele.

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As acusações foram anteriores e não tem relação com o episódio de 23 de agosto, em que Blake foi baleado nas costas por um policial, o que o deixou gravemente ferido e hospitalizado.

Blake ficou paralisado após ser baleado. Ele estava inicialmente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sua condição melhorou, informou sua família.

O juiz aprovou a assinatura de um título de dívida no valor de US$ 10 mil (cerca de R$ 53 mil), além dos US$ 500 (R$ 2,6 mil) em dinheiro já em vigor como fiança para Blake. O acordo de fiança foi assinado e ele tem permissão para deixar o estado apenas para tratamento médico.

Blake renunciou ao direito a uma audiência preliminar e deve comparecer ao tribunal em 21 de outubro. O juiz disse que o caso pode seguir para julgamento, que terá início em novembro.

Se condenado por agressão sexual, Blake pode pegar até 10 anos de prisão e/ou multa de até US$ 25 mil (R$ 132 mil).

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Blake, de 29 anos, foi baleado sete vezes em 23 de agosto. Uma gravação do incidente mostra um policial atirando em Blake enquanto ele tentava entrar pela porta do motorista de seu veículo. Seus três filhos – de 3, 5 e 8 anos – estavam no carro.

Os protestos contra a brutalidade policial e o racismo sistêmico eclodiram depois que um vídeo do caso começou a circular nas redes sociais. Os protestos continuaram por quase duas semanas. Blake é negro e o policial que atirou nele é branco.

A Divisão de Investigação Criminal do Departamento de Justiça de Wisconsin, que está liderando a investigação do caso, disse que Blake admitiu que tinha uma faca em sua posse e os agentes encontraram o objeto na porta de seu veículo.

A família de Blake disse que ele não era uma ameaça para os policiais. Um advogado da família, Patrick Salvi Jr., disse esta semana: “Em nenhum momento o ímpeto de Jacob foi em direção aos policiais. E o que você vê é que o policial está puxando a camisa e depois dispara aquelas sete balas nas costas de Jacob. Se ele estava preocupado que Jacob tinha uma faca, por que ele não recuou?”

Desde o episódio, os dois policiais envolvidos na abordagem foram colocados em licença administrativa.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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