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    Defesas de Trump e escritora fazem sustentações finais ao júri antes de julgamento por difamação

    Defesa de E. Jean Carrol quer vultuosa indenização de Trump por negar crime

    E. Jean Carroll sai do Tribunal Federal de Manhattan, na cidade de Nova York
    E. Jean Carroll sai do Tribunal Federal de Manhattan, na cidade de Nova York 26/01/2024REUTERS/Brendan Mcdermid

    Reuters

    O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump deveria conceder vultuosa indenização à escritora E. Jean Carroll por difamação e por negar que a abusou sexualmente em cifras de dezenas de milhões de dólares, disse a advogada dela ao júri perto do fim do julgamento que confronta ambos nesta sexta-feira.

    A advogada de Trump, em contrapartida, afirmou que a ex-colunista da revista Elle não merece um centavo, tendo obtido holofotes sem sofrer qualquer dano profissional ou emocional depois de o político tê-la chamado de mentirosa.

    Formado por sete homens e duas mulheres, o júri na corte federal de Manhattan deve começar a deliberar o caso nesta sexta-feira, quinto dia do julgamento cível.

    Carroll, que tem 80 anos, pede pelo menos 10 milhões de dólares a Trump por difamação ocorrida em junho de 2019, quando ele estava na Casa Branca e negou suas acusações de que ele a abusou sexualmente em meados dos anos 1990 no vestiário de uma loja de departamentos de Manhattan.

    Ela afirmou que os comentários de Trump a fizeram ser alvo de 4 anos e meio de ataques contínuos, incluindo ameaças de morte.

    O ex-presidente, de 77 anos, acusou Carroll de inventar o episódio para aumentar as vendas de suas memórias e afirma que nunca ouviu falar dela.

    Ele também atacou Carroll classificando o caso dela como uma “caça às bruxas” e “golpe”.

    Um outro júri obrigou Trump a pagar 5 milhões de dólares à escritora devido a uma negativa similar em outubro de 2022, concluindo que houve difamação e abuso sexual.

    A advogada de Carroll, Roberta Kaplan — que não é parente do juiz –, pediu que os jurados condenem Trump por mentir insistentemente sobre sua cliente, destruindo a sua reputação como jornalista.

    “Todos precisamos cumprir as leis”, afirmou Kaplan.

    “Donald Trump, contudo, age como se essas regras e leis simplesmente não se aplicassem a ele.”

    A advogada de Trump, Alina Habba, contra-argumentou dizendo que foi a publicação de trechos das memórias de Carroll pela revista New York que ocasionou os ataques, não as negativas de Trump.

    “Simplesmente não faz sentido”, disse Habba. “Mesmo que você acredite na Sra. Carroll, que ela realmente temia por sua segurança por causa dos emails que recebeu, ela não demonstrou o que precisava demonstrar: que o presidente Trump teria sido a razão pela qual os recebeu.”

    Trump tenta voltar à Casa Branca em novembro, em uma disputa com o democrata Joe Biden, atual presidente e que o derrotou em 2020.

    A expectativa é de uma corrida acirrada, mesmo com os 91 processos contra Trump, incluindo dois casos que o acusam de tentar inverter ilegalmente o resultado das eleições de 2020.

    Trump deixou o tribunal durante a sustentação final de Roberta Kaplan, mas retornou quando Habba, sua advogada, falava.

    Ele tem tentado transformar seus desafios na Justiça em instrumentos de campanha, dizendo-se vítima de procuradores parciais e de um sistema de Justiça falho.

    (Reportagem de Jonathan Stempel e Luc Cohen, em Nova York)