Deputado é repreendido no Parlamento Europeu após mandar Trump "cair fora"

Parlamentar dinamarquês foi interrompido por usar linguagem considerada inadequada em discurso dirigido ao presidente americano

Max Saltman e Anne Clifford, da CNN
Deputado dinamarquês Anders Vistisen discursa no Parlamento Europeu
Deputado dinamarquês Anders Vistisen discursa no Parlamento Europeu  • Parlamento Europeu/ Philippe BUISSIN
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Um deputado dinamarquês do Parlamento Europeu foi repreendido pelo vice-presidente da Casa após dizer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “cair fora” durante um discurso nesta terça-feira.

“Deixe-me dizer em palavras que talvez você entenda”, afirmou Anders Vistisen, dirigindo-se a Trump durante um debate entre eurodeputados sobre as tarifas dos EUA relacionadas à Groenlândia. “Senhor presidente: caia fora.”

Vistisen, membro do partido de direita Partido Popular da Dinamarca, foi rapidamente interrompido pelo vice-presidente Nicolae Ștefănuță por usar “palavrões”.

“Peço desculpas por interrompê-lo, mas isso é inaceitável”, disse Ștefănuță.

Não é a primeira vez que Vistisen usa linguagem não parlamentar. O parlamentar já havia dito a Trump para “f–k off” ao discursar no Parlamento em janeiro de 2025, quando Trump também buscava adquirir a Groenlândia.

Na época, ele disse à CNN, em entrevista a Erin Burnett, que sua linguagem direta tinha o objetivo de expressar o quão “inaceitável” ele considerava o interesse explícito de Trump pelo território.

Entenda a crise na Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou as ameaças sobre anexar a Groenlândia, uma ilha ártica semiautônoma controlada pela Dinamarca.

Ele argumenta que o território é fundamental para a estratégia militar americana, já que fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que a tornaria vital para um sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.

Os Estados Unidos querem instalar radares na ilha para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.

Mas as ameaças do líder americano têm afetado diretamente a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar entre países que tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte.

"Se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para, incluindo a própria aliança militar e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial", disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

Enquanto Trump não descarta o uso de força para conquistar a Groenlândia, alguns países europeus enviaram um pequeno número de militares para a ilha para participar de exercícios conjuntos com a Dinamarca.

Após o envio dessas tropas, o presidente dos EUA disse que vai impor tarifas contra importações de seus próprios aliados -- incialmente, de 10%, mas que podem chegar a 25%.

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