Dois congressistas dos EUA viajam ao Afeganistão para supervisionar evacuação

Ida dos parlamentares ao país dominado pelo Talibã provocou críticas de Democratas e Republicanos; funcionário do governo dos EUA disse à CNN que a visita é uma 'distração inútil'

Devan ColeRyan NoblesZachary CohenOren Liebermannda CNN

Ouvir notícia

Dois congressistas dos Estados Unidos fizeram uma visita não anunciada ao Afeganistão nesta terça-feira (25). A chegada ao país dominado pelo Talibã acontece enquanto os EUA se esforçam para evacuar o maior número possível de pessoas do país no restante dos dias da presença militar em solo afegão. A viagem pegou a liderança democrata de surpresa e rapidamente atraiu críticas.

Os representantes Seth Moulton, um democrata de Massachusetts, e Peter Meijer, um republicano de Michigan, disseram em uma declaração conjunta nesta terça que haviam viajado para Cabul, capital do Afeganistão, “para supervisionar a missão de evacuar americanos e aliados” e que a viagem foi conduzida em segredo “para minimizar o risco e perturbação para as pessoas no local.”

“Como membros do Congresso, temos o dever de supervisionar o Poder Executivo”, disse Moulton e Meijer, ambos militares veteranos que serviram no Oriente Médio.

A dupla disse que viajou para o Afeganistão “em um avião com assentos vazios, sentados em assentos da tripulação, para garantir que ninguém que precisasse de um assento o perdesse por causa de nossa presença”.

Mas a viagem, aparentemente uma típica missão de apuração de fatos do Congresso, surpreendeu a liderança da Câmara e o Comitê de Serviços Armados da Câmara, de acordo com um assessor da liderança democrata, bem como a Casa Branca, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.

A Associated Press noticiou a viagem pela primeira vez. À CNN, um funcionário do governo dos EUA classificou a visita como uma “distração inútil”. O Departamento de Defesa também não foi avisado com antecedência de que os congressistas voariam para o Afeganistão.

A visita ocorre em um momento em que as autoridades americanas trabalharam para aumentar o ritmo dos voos de evacuação, e a chegada inesperada de políticos americanos no meio de uma zona de guerra teria retirado recursos e pessoal da missão de evacuação – especialmente com uma ameaça terrorista persistente do Estado Islâmico-K, conhecido pela sigla ISIS-K, que é rival do Talibã, e outros grupos que procuram alvejar as forças americanas e de coalizão.

No Twitter, Moulton informou nesta terça que esteve no aeroporto de Cabul com Meijer para “supervisionar a evacuação”

Em uma carta enviada aos membros da Câmara nesta terça-feira quando os congressistas já estavam no Afeganistão, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi – sem mencionar explicitamente a viagem – desencorajou legisladores de visitar o país, argumentando que tal viagem “desviaria desnecessariamente os recursos necessários” dos esforços de evacuação.

“Escrevo para reiterar que os Departamentos de Defesa e Estado solicitaram que os membros não viajassem ao Afeganistão e à região durante este período de perigo”, escreveu o democrata da Califórnia.

“Garantir a evacuação segura e oportuna de indivíduos em risco exige todo o foco e atenção das equipes militares e diplomáticas dos EUA em solo no Afeganistão.”

A deputada democrata Sara Jacobs, da Califórnia, membro do Comitê de Serviços Armados, também criticou a decisão de seus colegas de viajar para o exterior. “Seja no Haiti ou no Afeganistão, ocupando espaço em uma zona de desastre para seu próprio ego não ajuda ninguém”, escreveu no Twitter.

Phil Mattingly e Annie Grayer, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

Mais Recentes da CNN