Eleitor alemão busca extremos na direita e na esquerda, diz especialista
Ao WW, Vinícius Rodrigues Vieira, professor de R.I da FAAP, FGV e do IDP analisa o avanço da AfD e a radicalização do eleitorado alemão, ligando o fenômeno à inércia do CDU
O cenário político alemão tem sido marcado por uma crescente busca dos eleitores pelos extremos do espectro ideológico, tanto à direita quanto à esquerda. É o que avalia Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP, FGV e do IDP, em análise sobre o avanço da AfD (Alternative für Deutschland) e o comportamento do eleitorado no país ao WW.
Segundo Vieira, o que se observa na Alemanha é o enfraquecimento dos chamados Volksparteien — os partidos populares tradicionais, como os social-democratas e os democratas-cristãos — que por décadas dominaram o cenário político alemão.
"O que nós temos na Alemanha é uma busca pelos extremos", afirmou o especialista, destacando que esse movimento não se restringe à direita.
Berlim e o espaço para a esquerda radical
O resultado eleitoral em Berlim evidenciou que há espaço significativo para uma esquerda mais radical do que os próprios social-democratas e os "verdes", que, apesar de sua forte agenda ambiental, não seriam classificados como extremistas.
Para Vieira, isso demonstra que o fenômeno de radicalização do eleitorado é mais amplo e complexo do que aparenta à primeira vista.
A herança da inércia do CDU
O especialista aponta a falta de ação do CDU como um dos principais fatores para a radicalização do eleitorado.
Na sua avaliação, a agenda adotada por Angela Merkel — especialmente a política de acolhimento de migrantes, considerada por ele "excessivamente liberal" mesmo para os padrões da democracia-cristã — foi "muito mal calculada do ponto de vista do que poderia se gerar no longo prazo".
Vieira ressalta que havia, naquele momento, "uma espécie de arrogância do triunfo do liberalismo", em um contexto anterior ao surgimento do presidente americano, Donald Trump, e ao Brexit.
Vieira traça ainda um paralelo com a França de 2017, quando o enfraquecimento dos socialistas e dos gaulistas abriu espaço para o surgimento de Emmanuel Macron como solução de centro.
No entanto, para o especialista, o contexto alemão é mais preocupante: "No contexto alemão, nós não temos um centro capaz de sustentar isso", pois a AfD já lidera as pesquisas de intenção de voto em nível nacional, com cerca de 26% a 28% das preferências.



