Em meio a ameaça militar, G7 adverte China para não ‘escalar tensões’ com Taiwan

Grupo cobra por estabilidade na região da ilha de Taiwan, que recentemente tem sido alvo de ameaças por meio de exercícios militares chineses

Boris Johnson e ministros das Relações Exteriores na Cúpula do G7
Boris Johnson e ministros das Relações Exteriores na Cúpula do G7 Foto: Felix Zahn/Photothek via Getty Images

James Griffiths , da CNN

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Ministros das Relações Exteriores dos países do Grupo dos Sete (G7) pediram um maior envolvimento com Taiwan e alertaram a China para não aumentar as tensões através do estreito após um aumento nas manobras militares em torno da ilha autogerida.

Em um comunicado conjunto divulgado na quarta-feira (05), representantes do G7, que inclui Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, destacaram “a importância da paz e da estabilidade em todo o Estreito de Taiwan” e encorajaram a “resolução pacífica de questões através do Estreito.”

“Reiteramos nossa forte oposição a quaisquer ações unilaterais que possam aumentar as tensões e minar a estabilidade regional e a ordem baseada em regras internacionais e expressamos sérias preocupações sobre relatos de militarização, coerção e intimidação na região“, acrescentou o comunicado.

Os ministros também disseram que seus governos apoiaram a “participação significativa” de Taiwan nos fóruns da Organização Mundial da Saúde (OMS) e na Assembleia Mundial da Saúde, uma meta de longa data de Taipei. Pequim bloqueou a participação de Taiwan na OMS, apesar da resposta efetiva da ilha à pandemia do coronavírus.

As tensões entre Taiwan e China têm aumentado nos últimos meses, à medida que Pequim intensificou os exercícios aéreos e navais em torno da ilha democrática, que o Partido Comunista considera parte de seu território e prometeu “reunificar” com a China continental, pela força, se necessário.

Declaração do G7 sobre Xinjiang

Taiwan não foi o único assunto sobre o qual o G7 transmitiu uma mensagem dura para a China. A declaração dos ministros também chamou a atenção para “violações e abusos dos direitos humanos em Xinjiang e no Tibete” e a erosão dos “elementos democráticos do sistema eleitoral em Hong Kong”.

Os ministros do G7 disseram que apoiam “fortemente” o “acesso independente e irrestrito” a Xinjiang para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Anteriormente, Pequim apenas convidou autoridades estrangeiras para viagens rigidamente controladas a Xinjiang, onde foi acusada de deter milhões de uigures e outras minorias étnicas.

O comunicado de mais de 12 mil palavras não chegou a recomendar qualquer ação coletiva contra a China ou a Rússia, cujo “comportamento irresponsável e desestabilizador” a declaração também destacou.

Os ministros disseram que seus governos também “buscarão oportunidades de trabalhar com a China para promover a paz, segurança e prosperidade regional e global”.

Informando os repórteres nesta semana, um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA disse que a China era um “tópico dominante” no Fórum do G7.

“Abrimos com ele porque era o item mais importante da agenda para nós, entre as muitas coisas importantes que tínhamos que discutir”, disse o funcionário. “Houve um amplo consenso, tanto no fato de que todos nós queremos que a China seja um membro integrante da ordem internacional, mas para isso, ela tem que jogar de acordo com as regras dessa ordem internacional.”

O funcionário disse que havia “uma grande preocupação com o comportamento da China em termos de direitos humanos”, citando compromissos que Pequim havia assumido em acordos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Este não é um assunto interno. É uma questão de cumprir as obrigações internacionais que a China assinou, e também houve unanimidade no G7 nesse aspecto”, acrescentou.

Tensões entre União Europeia e China

Embora não recomende uma ação imediata, a linguagem na declaração dos ministros do G7 representou uma espécie de escalada para alguns participantes, nomeadamente a União Europeia, França e Alemanha, que normalmente têm uma abordagem mais conciliatória com a China. Isso ocorre no momento em que um grande acordo de investimento entre a UE e a China está prestes a acontecer após as sanções na mesma moeda contra Xinjiang.

Um dos principais blocos no Parlamento Europeu, os Socialistas e Democratas, disse em um comunicado no mês passado: “O regime chinês não se considera vinculado a nenhum tratado internacional ou compromisso contratual”.”

A UE deve agir em consequência e usar seu poder de mercado para impor um custo econômico às repetidas violações chinesas de direitos fundamentais e violações da lei internacional”, disse o eurodeputado do S&D Raphaël Glucksmann, pedindo que o acordo seja cancelado. “É hora de defender nossos princípios e proteger nossos interesses estratégicos.”

A China ainda não reagiu à declaração do G7. Os ministérios de Pequim voltaram ao trabalho na quinta-feira (06), após uma pausa de cinco dias para o feriado de 1º de maio. Em um artigo publicado na quarta, antes do comunicado, a agência de notícias estatal Xinhua acusou o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, de usar a reunião do G7 “para vender sua conspiração de ameaça à China”.

“Ao longo dos anos, Washington não mediu esforços para caluniar a China em questões como Xinjiang e Hong Kong e interferir grosseiramente nos assuntos internos da China sob o pretexto de direitos humanos e democracia”, disse a Xinhua.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler a versão em inglês)

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