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    Enquanto fome assola Faixa de Gaza, EUA tentam encontrar soluções

    Entregas de ajuda humanitária no norte do território se tornou escassa e perigosa

    Palestinos carregam sacos de farinha que pegaram de caminhão de ajuda perto de posto de controle israelense na Cidade de Gaza
    Palestinos carregam sacos de farinha que pegaram de caminhão de ajuda perto de posto de controle israelense na Cidade de Gaza 19/02/2024REUTERS/Kosay Al Nemer

    Humeyra PamukSimon LewisJonathan Landayda Reuters

    De lançamentos aéreos de ajuda humanitária a navios de suprimentos do Chipre, os Estados Unidos buscam urgentemente maneiras de alimentar a população da Faixa de Gaza.

    Enquanto isso, a resistência de Israel à pressão de Washington pela ampliação do auxílio e os esforços dos EUA para intermediar uma trégua na guerra testam a paciência global.

    Com a fome extrema à espreita de mais de meio milhão de pessoas no território sitiado em meio à ofensiva militar de Israel, os palestinos estão desesperados, e as entregas de ajuda se tornaram caóticas e mortais.

    Na quinta-feira (29), mais de 100 palestinos foram mortos por fogo israelense enquanto aguardavam uma entrega de ajuda humanitária, segundo autoridades de saúde palestinas. Israel negou responsabilidade no ocorrido, dizendo que muitas das vítimas foram atropeladas por caminhões que transportavam os suprimentos.

    Sob pressão interna e de aliados no exterior, o governo de Joe Biden avalia propostas robustas mais frequentemente associadas a desastres naturais e à era da Guerra Fria.

    Alternativas avaliadas pelos EUA

    O lançamento de alimentos e suprimentos por aviões é uma opção, de acordo com autoridades norte-americanas. A França já fez diversas entregas do tipo em Gaza em parceria com a Jordânia e outros países da região.

    Outra alternativa envolve o envio de assistência por mar a partir do Chipre, a cerca de 338 km da costa mediterrânea da Faixa de Gaza, segundo uma outra autoridade dos EUA.

    Representantes do governo norte-americano visitaram o Chipre nesta semana para examinar uma possível operação de ajuda por via marítima, relatou a fonte.

    Os detalhes da operação, incluindo onde os suprimentos poderiam ser descarregados na Faixa Gaza, entretanto, não ficaram claros. A autoridade disse que o governo considera a possibilidade de usar navios militares ou comerciais e que seria “complexo em termos de garantir um local de desembarque”.

    A ideia do lançamento aéreo atraiu o ceticismo de alguns membros da comunidade humanitária.

    Um caminhão que transportava alimentos, parte de um comboio de ajuda da UNRWA que foi atingido por fogo israelense a caminho do norte de Gaza em 5 de fevereiro / Thomas White/UNRWA via X

    “Os lançamentos aéreos são extremamente caros e de baixo volume… o fato de eles precisarem ser considerados é um grande fracasso político”, ponderou Jeremy Konyndyk, presidente da Refugees International.

    Israel afirma estar empenhado em melhorar a situação humanitária em Gaza e acusa os integrantes do Hamas de colocar em risco os civis palestinos, os usando como escudos humanos.

    Questionado sobre as opções estudadas pelos EUA, um porta-voz da embaixada israelense em Washington se referiu a uma declaração na quinta-feira do porta-voz militar israelense Daniel Hagari.

    Na ocasião, Hagari destacou que Israel estava coordenando as entregas e que deseja que a ajuda humanitária chegue à população do território palestino.

    “Estamos trabalhando sem parar para que isso ocorra. Israel não impõe limites à quantidade de ajuda que pode entrar em Gaza”, sustentou.

    Entregas “caóticas” e mortais

    As entregas de auxílio à Faixa de Gaza, especialmente ao norte, têm sido raras e caóticas diante do aumento da ilegalidade, dos saques e do colapso da ordem pública após a ofensiva militar de Israel, que matou mais de 30 mil palestinos, segundo as autoridades de Gaza, tornando as atividades de trabalhadores humanitários extremamente inseguras.

    O conflito teve início com um ataque do Hamas ao sul de Israel a partir de Gaza em 7 de outubro, no qual o grupo armado matou 1.200 pessoas e sequestrou mais de 250.

    O incidente de quinta-feira perto da Cidade de Gaza foi a maior perda de vidas civis nas últimas semanas.

    O Hamas afirmou que isso poderia prejudicar as negociações no Catar por um cessar-fogo e a libertação de reféns israelenses. Havia sido criada a expectativa de uma trégua antes do início do mês de jejum muçulmano do Ramadã, em 10 de março.

    A ONU e as agências de ajuda humanitária criticaram Israel por negar tentativas de transferência de ajuda humanitária para as áreas no norte de Gaza, restringindo o movimento e as comunicações.

    EUA cobram Israel

    O governo Biden diz que a melhor solução para a crise humanitária seria um cessar-fogo temporário, mas à medida que as negociações se arrastam, e até mesmo o presidente vem demonstrando frustração com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

    Em uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na terça-feira (27) sobre a fome em Gaza, os Estados Unidos foram diretos sobre a responsabilidade do aliado.

    “Simplificando, Israel deve fazer mais”, advertiu o embaixador adjunto dos EUA na ONU, Robert Wood, ao Conselho de Segurança.

    O fornecimento de segurança para as remessas de ajuda surgiu como um grande problema. A ONU não tem seus próprios guardas e as forças israelenses atacaram a polícia palestina que escoltava os caminhões de ajuda, acusando alguns deles de pertencerem ao Hamas.

    Sem entrar em detalhes, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, ressaltou que as autoridades norte-americanas estavam considerando uma série de medidas de ajuda.

    Ele também pontuou que Washington estava conversando com Israel para abrir uma passagem de fronteira no norte de Gaza.

    Ainda assim, Miller alertou que há “desafios técnicos e de segurança” para a abertura de mais passagens de fronteira, mas que Israel tem se mostrado disposto a trabalhar com eles.

    O porta-voz destacou que Washington já vem intervindo para convencer Israel a abrir duas passagens de fronteira no sul de Gaza.

    “Não foi algo que aconteceu da noite para o dia. É algo que pressionamos repetidamente”, concluiu.

    *reportagem adicional de Michelle Nichols, Arshad Mohammed, Idrees Ali e John Irish, da Reuters