Entenda o que é a gangue venezuelana Tren de Aragua

Gangue tem origem prisional e estabeleceu presença nos Estados Unidos e em países da América Latina

Da CNN Brasil
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O Tren de Aragua começou como uma gangue prisional na Venezuela, com grande parte de suas atividades criminosas focadas no “tráfico de pessoas e outros atos ilícitos que visam migrantes desesperados”, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A gangue adotou o nome entre 2013 e 2015, mas suas operações são anteriores a isso, conforme um relatório da Transparência Venezuela. Também conhecido como TdA, o grupo hoje tem presença muito além de seus territórios originais.

“Tem origem nos sindicatos de trabalhadores que atuaram na construção de uma obra ferroviária que ligaria o centro-oeste do país e que nunca foi concluída”, tanto nos estados de Aragua quanto de Carabobo, segundo o documento.

Os líderes da quadrilha operavam a partir da famosa prisão de Tocorón, que controlavam, segundo a reportagem.

Quando autoridades venezuelanas invadiram a prisão em setembro de 2023, encontraram uma piscina e vários restaurantes em seu interior, além de um esconderijo de armas controladas pelos detentos, incluindo rifles automáticos, metralhadoras e milhares de cartuchos de munição.

Autoridades venezuelanas dizem que desmantelaram a liderança do Tren de Aragua e libertaram a prisão de Tocorón, uma das maiores do país, do controle de seus integrantes.

Adam Isaacson, diretor de supervisão de defesa do grupo de defesa dos direitos humanos Washington Office on Latin America, disse à CNN que as sanções dos EUA ao Tren de Aragua provavelmente terão pouco efeito nas operações diárias do grupo.

No entanto, pode ser mais fácil dedicar mais recursos de inteligência e defesa dos EUA para persegui-los.

Óscar Naranjo, ex-vice-presidente da Colômbia e chefe da Polícia Nacional Colombiana, disse à CNN em 2024 que o Tren de Aragua é “a organização criminosa mais disruptiva em operação atualmente na América Latina”.

Na semana passada, o presidente dos EUA Donald Trump afirmou que as forças americanas realizaram um ataque que matou Hector Rusthenford Guerrero Flores, também conhecido como Niño Guerrero, líder da gangue Tren de Aragua, que atuava em presídios venezuelanos.

"Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque rápido e letal com armas de fogo para executar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder da Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta", disse Trump em uma publicação no Truth Social na sexta-feira (12).

Tráfico de drogas, pessoas e assassinatos

O general aposentado Óscar Naranjo, ex-vice-presidente da Colômbia e chefe da Polícia Nacional Colombiana, chamou a gangue de "a organização criminosa mais perturbadora que opera atualmente na América Latina, um verdadeiro desafio para a região", informou a CNN.

Na Colômbia, o Tren de Aragua e um grupo guerrilheiro conhecido como Exército de Libertação Nacional “operam redes de tráfico sexual na cidade fronteiriça de Villa del Rosario” e Norte de Santander, de acordo com um Relatório de Tráfico de Pessoas de 2023 do Departamento de Estado dos EUA sobre a Colômbia.

Os grupos criminosos exploram migrantes venezuelanos e colombianos deslocados no tráfico sexual, aproveitando-se de vulnerabilidades econômicas e submetendo-os à "servidão por dívida", afirma o relatório.

A polícia da região relatou que a organização vitimou milhares de pessoas por meio de extorsão, tráfico de drogas e pessoas, sequestro e assassinato. 

Atuação na América Latina e EUA

Durante anos, o Trem de Aragua – também conhecido como “TdA” – aterrorizou não apenas a Venezuela, mas também países como Bolívia, Colômbia, Chile e Peru.

“À medida que o Tren de Aragua se expandia, ele se infiltrava oportunisticamente em economias criminosas locais na América do Sul, estabelecia operações financeiras transnacionais, lavava fundos por meio de criptomoedas e formava laços com o Primeiro Comando da Capital (PCC), sancionado pelos EUA, um notório grupo do crime organizado no Brasil”, de acordo com o OFAC.

Um desafio para as autoridades policiais é a dificuldade de saber quantos membros do Tren de Aragua já estão nos EUA.