EUA e países europeus falam em sanções após Putin reconhecer independência de separatistas

Líderes mundiais condenaram a decisão do presidente russo

Tiago Tortella e Mariana Catacci, da CNN
Compartilhar matéria

Diversos líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenaram a decisão do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de reconhecer a independência de duas regiões separatistas no Leste da Ucrânia.

Logo após a assinatura do documento que reconhece a independência das autoproclamadas Repúblicas de Luhansk e Donetsk por Putin, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que será necessário "aplicar o máximo de pressão contra a Rússia".

"Está ficando claro que precisaremos começar a aplicar o máximo de pressão possível, porque é difícil ver como essa situação vai melhorar", afirmou Johnson em coletiva de imprensa.

"Isso é claramente uma violação do Direito Internacional. É uma violação, uma violação flagrante da soberania e integridade da Ucrânia", complementou.

A ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, disse que sanções serão anunciadas nesta terça-feira (22), algo que, segundo ela, foi acordado com Josep Borrell, representante de Relações Exteriores da União Europeia.


O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conversou com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, após o discurso de Putin. Ele também informou que planeja falar com Boris Johnson e que convocou uma o conselho de segurança e defesa nacional.

Biden, horas mais tarde, assinou uma ordem executiva com sanções às regiões separatistas.

O presidente dos EUA também conversou por telefone com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e com Emmanuel Macron, presidente da França.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o ato é "uma violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos acordos de Minsk" e que o bloco e seus parceiros vão "reagir com firmeza, união e determinação em solidariedade à Ucrânia".

Emmanuel Macron disse no Twitter que "a Rússia está violando seus compromissos e minando a soberania da Ucrânia" e que convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e sanções por parte dos países da Europa.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que a Rússia violou a integridade territorial e a soberania da Ucrânia.

"As Nações Unidas, de acordo com as resoluções relevantes da Assembleia Geral, continuam apoiando totalmente a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas", disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, em comunicado.

Mais tarde, em coletiva de imprensa, o porta-voz disse que a ação é inconsistente com os princípios da ONU e que o secretário-geral prioriza a diplomacia.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, por sua vez, condenou o reconhecimento da independência das duas repúblicas. "Isso corrói os esforços para resolver o conflito e viola os acordos de Minsk. A Otan apoia a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. Instamos Moscou a parar de alimentar conflitos e escolher a diplomacia", pontuou.

"Moscou continua a alimentar o conflito no leste da Ucrânia, fornecendo apoio financeiro e militar aos separatistas. Também está tentando construir um pretexto para invadir a Ucrânia mais uma vez", continuou o secretário.

O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, pediu que sejam aplicadas sanções contra a Rússia e a ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que vão "reagir a essa violação do direito internacional e coordenaremos com nossos parceiros".

Outro presidente que condenou a decisão de Putin foi o presidente da Estônia. Pelo Twitter, Alar Karis disse que "estamos vendo uma escalada planejada e premeditada da Rússia" e que o país não é confiável.

A Turquia rejeitou a ação russa, o que considerou como "inaceitável". No Canadá, a condenação veio na mesma medida. A ministra de Relações Exteriores do país, Melanie Joly, disse que houve violação dos acordos de Minsk e que é uma ameaça à estabilidade da região. Ela disse ainda que, junto aos aliados, o país se prepara para impor sanções contra os russos - que são diferentes daquelas da ocasião de um ataque.

*com informações da Reuters e CNN Internacional

Veja imagens da tensão na fronteira ucraniana