EUA e países europeus falam em sanções após Putin reconhecer independência de separatistas

Líderes mundiais condenaram a decisão do presidente russo

Bandeiras da União Europeia do lado de fora da sede do bloco em Bruxelas
Bandeiras da União Europeia do lado de fora da sede do bloco em Bruxelas 14/11/2018 REUTERS/Francois Lenoir

Tiago TortellaMariana Cataccida CNN

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Diversos líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenaram a decisão do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de reconhecer a independência de duas regiões separatistas no Leste da Ucrânia.

Logo após a assinatura do documento que reconhece a independência das autoproclamadas Repúblicas de Luhansk e Donetsk por Putin, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que será necessário “aplicar o máximo de pressão contra a Rússia“.

“Está ficando claro que precisaremos começar a aplicar o máximo de pressão possível, porque é difícil ver como essa situação vai melhorar”, afirmou Johnson em coletiva de imprensa.

“Isso é claramente uma violação do Direito Internacional. É uma violação, uma violação flagrante da soberania e integridade da Ucrânia“, complementou.

A ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, disse que sanções serão anunciadas nesta terça-feira (22), algo que, segundo ela, foi acordado com Josep Borrell, representante de Relações Exteriores da União Europeia.


O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conversou com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, após o discurso de Putin. Ele também informou que planeja falar com Boris Johnson e que convocou uma o conselho de segurança e defesa nacional.

Biden, horas mais tarde, assinou uma ordem executiva com sanções às regiões separatistas.

O presidente dos EUA também conversou por telefone com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e com Emmanuel Macron, presidente da França.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o ato é “uma violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos acordos de Minsk” e que o bloco e seus parceiros vão “reagir com firmeza, união e determinação em solidariedade à Ucrânia”.

Emmanuel Macron disse no Twitter que “a Rússia está violando seus compromissos e minando a soberania da Ucrânia” e que convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e sanções por parte dos países da Europa.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que a Rússia violou a integridade territorial e a soberania da Ucrânia.

“As Nações Unidas, de acordo com as resoluções relevantes da Assembleia Geral, continuam apoiando totalmente a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas”, disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, em comunicado.

Mais tarde, em coletiva de imprensa, o porta-voz disse que a ação é inconsistente com os princípios da ONU e que o secretário-geral prioriza a diplomacia.

Mapa da Ucrânia
Mapa da Ucrânia e regiões de Donetsk e Luhansk / Reprodução/CNN (21.fev.2022)

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, por sua vez, condenou o reconhecimento da independência das duas repúblicas. “Isso corrói os esforços para resolver o conflito e viola os acordos de Minsk. A Otan apoia a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. Instamos Moscou a parar de alimentar conflitos e escolher a diplomacia”, pontuou.

“Moscou continua a alimentar o conflito no leste da Ucrânia, fornecendo apoio financeiro e militar aos separatistas. Também está tentando construir um pretexto para invadir a Ucrânia mais uma vez”, continuou o secretário.

O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, pediu que sejam aplicadas sanções contra a Rússia e a ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que vão “reagir a essa violação do direito internacional e coordenaremos com nossos parceiros”.

Outro presidente que condenou a decisão de Putin foi o presidente da Estônia. Pelo Twitter, Alar Karis disse que “estamos vendo uma escalada planejada e premeditada da Rússia” e que o país não é confiável.

A Turquia rejeitou a ação russa, o que considerou como “inaceitável”. No Canadá, a condenação veio na mesma medida. A ministra de Relações Exteriores do país, Melanie Joly, disse que houve violação dos acordos de Minsk e que é uma ameaça à estabilidade da região. Ela disse ainda que, junto aos aliados, o país se prepara para impor sanções contra os russos – que são diferentes daquelas da ocasião de um ataque.

*com informações da Reuters e CNN Internacional

Veja imagens da tensão na fronteira ucraniana

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