Ex-ministro da Defesa da Ucrânia pede eleições durante a guerra
Mykhailo Fedorov, recentemente destituído do cargo, afirmou em discurso que "a democracia não pode ser mantida como refém da Rússia"

Mykhailo Fedorov, recentemente destituído do cargo de ministro da Defesa da Ucrânia, pediu a realização de eleições durante a guerra em um discurso nesta terça-feira (18), afirmando que o país, em estado de guerra, enfrenta uma crise de governança, no maior desafio interno ao presidente Volodymyr Zelensky desde 2022.
O apelo de Fedorov, por meio de um vídeo publicado no YouTube, é a primeira exigência do tipo por parte de uma figura política importante da Ucrânia desde o início da invasão em grande escala da Rússia, em 2022. A legislação ucraniana proíbe a realização de eleições em tempo de guerra.
Fedorov, de 35 anos, era um aliado de longa data de Zelensky até sua demissão inesperada do Ministério da Defesa em julho, apenas seis meses após ter sido nomeado, quando prometera reformas abrangentes.
“A democracia não pode ser mantida como refém pela Rússia”, afirmou Fedorov.
“Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia retomar plenamente seu processo democrático, mesmo em condições de uma guerra prolongada.”
No que pareceu ser um desafio aberto a Zelensky, Fedorov afirmou que a Ucrânia enfrenta uma “crise sistêmica de governança”.
“O antigo sistema vive, com muita frequência, segundo suas próprias regras. Ele se protege. Tem medo da mudança”, afirmou.
Sem citar nomes, Fedorov criticou a corrupção oficial, que, segundo ele, prejudicou os esforços de guerra da Ucrânia. Recentemente, o ex-ministro disse acreditar que sua reforma dos processos de compras do Ministério da Defesa, responsável pela compra de bilhões de dólares em equipamentos, contribuiu para sua demissão.
O gabinete de Zelensky não forneceu comentários imediatos sobre a declaração de Fedorov.


