França: Emmanuel Macron diz que quer “irritar” os não vacinados

Novas medidas restritivas para não vacinados têm causado polêmica no país

Joseph AtamanDalal MawadRob Pichetada CNN

Paris

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O presidente francês Emmanuel Macron disse que quer “realmente irritar” pessoas não vacinadas, intensificando um debate caloroso sobre as novas regras estritas no país para aqueles que recusaram a imunização.

Em uma entrevista ao jornal Le Parisien na terça-feira (4), Macron disse: “Eu não quero irritar os franceses…agora, os não vacinados, eu realmente quero irritar. E então, continuaremos o fazendo, até o fim. Essa é a estratégia.”

Eu não quero irritar os franceses…agora, os não vacinados, eu realmente quero irritar. E então, continuaremos o fazendo, até o fim. Essa é a estratégia.

Emmanuel Macron, em entrevista ao jornal Le Parisien

Suas falas atraíram condenações súbitas e nervosas de congressistas da oposição, que estavam debatendo as novas propostas de Macron de regras para pessoas não vacinadas, que praticamente as barrariam da vida pública.

Um debate parlamentar sobre a lei foi suspenso nas primeiras horas da manhã de quarta-feira (5), e será realizado mais tarde, levantando dúvidas sobre se o passe da vacina mais restrito será efetivado como pretende o governo até 15 de janeiro.

Fila para teste de Covid-19 em Paris, França / 04/01/2022 REUTERS/Sarah Meyssonnier

A legislação proposta substituiria o “passe de saúde” francês por um passe da vacina, o que significa que provas da vacinação seriam necessárias para uma série de atividades cotidianas, desde entrar em restaurantes e bares, até viajar dentro do país. Não seria mais aceito um teste negativo ou uma recuperação recente da Covid.

Não os colocarei na cadeia, não vou vaciná-los forçosamente, e então, temos que dizer a eles: a partir de 15 de janeiro, você não poderá mais ir a restaurantes, não poderá tomar um drink, sair para um café, ir ao teatro, não poderá ir ao cinema.

Emmanuel Macron, presidente da França

Macron descreveu aqueles que se opõem à vacinação como “irresposáveis”, acrescentando que “minam a força da nação”. “Quando a minha liberdade ameaça a dos outros, eu viro um irresponsável”, disse. “Uma pessoa irresponsável não é um cidadão”.

Suas declarações foram imediatamente comentadas por seus rivais nas eleições presidenciais desse ano. A líder de extrema-direita Marine Le Pen disse no Twitter que “um presidente não deveria dizer isso”, declarando que Macron é “indigno de seu cargo” e clamado que ele quer tornar pessoas não vacinadas “cidadãos de segunda classe”.

A controvérsia vem em meio a um debate tenso na França sobre como lidar com a minoria não vacinada da população.

A parlamentar Patricia Miralles disse à afiliada da CNN BFMTV que recebeu dezenas de ameaças desde as primeiras discussões sobre o passe de saúde em julho de 2021. Outro legislador, Ludovic Medes, disse ao canal de notícias que, como um oficial eleito, ele enfrenta “ódio permanente, ameaças de morte constantes” de alguns membros do público desde o início da pandemia.

A França vacinou cerca de 74% de sua população total, um dos níveis mais altos na União Europeia, mas tem sido fortemente atingida pela variante Ômicron, mais transmissível, que registrou infecções recordes nos últimos dias. Foram registrados 271.686 novos casos na terça-feira, a maior quantidade até o momento. As hospitalizações também alcançaram seus maiores níveis desde maio, com 20.186 pacientes de Covid em tratamento.

A maior parte da Europa está encarando números altos, enquanto a Ômicron varre as populações. O Reino Unido e a Itália tiveram seus recordes de infecções na terça-feira, e a Alemanha viu o número de casos aumentar vertiginosamente na semana passada.

No entanto, os países estão tomando posições variadas frente à severidade reduzida da Ômicron. Diversos estados europeus impuseram novas restrições durante o período do Natal, com a Itália implementando um mandato de uso de máscaras em locais abertos, e a Holanda entrando em lockdown. Enquanto isso, na Inglaterra, onde os passaportes da vacina foram introduzidos em dezembro para algumas situações, o secretário de Saúde do Reino Unido disse que “nenhuma restrição adicional” é necessária.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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