General dos EUA aponta preocupação com tensão na fronteira entre Rússia e Ucrânia

Ucrânia diz que a Rússia reuniu mais de 90 mil soldados perto de sua longa fronteira compartilhada

Militares perto do vilarejo de Zolote, área controlada por tropas do leste da Ucrânia apoiadas pela Rússia
Militares perto do vilarejo de Zolote, área controlada por tropas do leste da Ucrânia apoiadas pela Rússia Reuters/ Gleb Garanich

Phil StewartJacqueline Wongda Reuters

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Os Estados Unidos estão monitorando a atividade militar russa perto da Ucrânia e as informações despertam “muita preocupação”, disse o principal oficial militar dos EUA na noite de quinta-feira (2).

Segundo o general do exército Mark Milley, presidente do Estado-Maior, a retórica russa parece cada vez mais estridente, disse a autoridade.

O oficial se recusou a especular sobre os tipos de opções que os Estados Unidos poderiam considerar no caso de uma invasão russa. Mas Milley, em alguns de seus comentários mais extensos sobre a crise, enfatizou a importância da soberania da Ucrânia para Washington e para a aliança da Otan.

“Estaria em jogo importantes interesses de segurança nacional dos Estados Unidos e dos estados membros da Otan se houvesse um ato agressivo de ação militar dos russos em um estado-nação que é independente desde 1991”, disse Milley durante um voo de Seul para Washington.

A Ucrânia diz que a Rússia reuniu mais de 90 mil soldados perto de sua longa fronteira compartilhada. Mas Moscou rejeitou as sugestões de que está se preparando para um ataque a seu vizinho do sul e defendeu seu direito de enviar tropas para seu próprio território como achar adequado.

O Kremlin já anexou a península da Crimeia no Mar Negro da Ucrânia em 2014 e depois apoiou os rebeldes que lutavam contra as forças do governo de Kiev no leste do país. Esse conflito matou 14 mil pessoas, diz Kiev, e ainda está efervescente.

Especialistas alertam que uma invasão russa pode ser desestabilizadora, criando efeitos propagadores muito além da Ucrânia, em um momento de ansiedade crescente quanto às intenções chinesas em relação a Taiwan.

Milley se recusou a declarar publicamente sua estimativa do número de forças russas perto da Ucrânia, mas sugeriu que suas preocupações vão além do número bruto de soldados russos.

“Não vou dizer o que rastreamos e os indicadores ou avisos da inteligência, mas rastreamos tudo”, disse Milley. “E, agora, há o suficiente para causar muita preocupação, e continuaremos monitorando.”

A Rússia e a Ucrânia têm séculos de história compartilhada e formaram as duas maiores repúblicas da União Soviética até o colapso de 1991. Moscou vê a ambição de seu vizinho de ingressar na Otan como uma afronta e uma ameaça.

Desde o início da última crise, Moscou cobra a garantia por parte dos países do Ocidente de que  a Otan não admita a Ucrânia como membro e que não haverá a implantação de sistemas de mísseis no país que poderiam atingir a Rússia.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, alertou Moscou na quinta-feira (2) sobre “graves custos” que pesaria sobre o país se invadisse a Ucrânia, incentivando seu homólogo russo a buscar uma saída diplomática da crise.

Milley se recusou a especular se o presidente russo, Vladimir Putin, poderia ser encorajado pela retirada das forças americanas do Afeganistão, dizendo: “Você teria que perguntar a Putin”. A retirada de agosto encerrou a guerra de duas décadas dos Estados Unidos em uma derrota inequívoca, com o Taleban retomando o poder.

“Acho que seria um erro qualquer país tirar uma conclusão estratégica ampla com base na retirada dos EUA do Afeganistão e então pegar esse evento e aplicá-lo automaticamente a outras situações”, disse Milley.

Ele citou exemplos históricos de ex-presidentes dos EUA que retiraram as tropas em alguns lugares, mas ordenaram uma ação militar em outros lugares.

“Portanto, os Estados Unidos são um país difícil para outros países entenderem, às vezes”, disse ele.

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